November 3, 2015 / 5:03 PM / 2 years ago

Governo do RJ conversa com interessados em assumir Maracanã no lugar de Odebrecht, diz fonte

Por Rodrigo Viga Gaier

Mascotes da Rio 2016 são fotografados no estádio do Maracanã. 4/12/2014. REUTERS/Ricardo Moraes

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O governo do Rio de Janeiro começou a negociar com grupos interessados em assumir a concessão do Maracanã diante da perspectiva de que a atual concessionária, liderada pela Odebrecht, não continuará à frente da administração do estádio depois da Olimpíada de 2016, disse uma fonte próxima às conversas entre o Estado e a empreiteira.

O grupo francês Lagardère Unlimited, que já administra no Brasil as arenas Castelão, em Fortaleza, e Independência, em Belo Horizonte, aparece como um dos interessados na concessão do Maracanã, segundo a fonte, que pediu para não ser identificada. Outras empresas potencialmente interessadas na concessão do estádio são a AEG, que atualmente tem participação minoritária na Concessionária Maracanã, e a IMM, antiga IMX e que foi sócia de Odebrecht e AEG no Maracanã, de acordo com a fonte. “Já abrimos conversas com outros grupos porque entendemos que a parceria com a Odebrecht não dá mais e está perto do fim”, disse a fonte à Reuters. “Não dá para fazer nada antes da Olimpíada para não criar uma instabilidade, mas, após os Jogos, o caminho está aberto para outra administração”, acrescentou. O Maracanã, que receberá partidas de futebol e as cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos de 2016, foi reformado para a Copa do Mundo de 2014 ao custo de 1,2 bilhão de reais e concedido ao consórcio liderado pela Odebrecht [ODBES.UL] em 2013 em um contrato de 35 anos. A situação da Odebrecht se complicou depois da deflagração da operação Lava Jato, que resultou na prisão do presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, e de diversos executivos da companhia, por suspeita de corrupção em contratos com a Petrobras. “Para a Odebrecht, investir hoje 150 milhões de reais virou uma fortuna, algo não prioritário para um grupo que passa por momentos de dificuldades”, disse a fonte, acrescentando que a empreiteira está “enxugando a carteira” e se desfazendo de ativos que não sejam relacionados diretamente à construção civil. PARTICIPAÇÃO DOS CLUBES O contrato de concessão do Maracanã sofreu um abalo quando o governo do Estado, após sofrer pressão da sociedade, proibiu a demolição do estádio de atletismo Célio de Barros e do parque aquático Julio Delamare, que ficam no entorno do estádio. Quando ganhou a concessão do complexo, o consórcio pretendia construir nessas áreas centros comerciais, estacionamentos e um shopping center. Sem essa receita, a concessionária questionou o contrato e pleiteia um aditivo para reduzir a obrigação de investimentos de cerca de 600 milhões de reais para 150 milhões de reais ao longo do período de concessão. Segundo a fonte ouvida pela Reuters, o governo não concorda com a proposta do consórcio, que permite ainda a reavaliação do contrato a cada três anos, podendo desistir da concessão ou exigir uma compensação financeira. Dois modelos estão sendo estudados pelo Estado para o Maracanã. Um deles prevê que um grupo interessado compre a participação majoritária da Odebrecht no consórcio, e o outro prevê a devolução da concessão para que uma nova concorrência seja aberta. Qualquer que seja a escolha, a intenção do governo estadual é permitir que os clubes do Rio de Janeiro possam participar direta ou indiretamente da gestão do estádio, de acordo com a fonte. Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense costumam reclamar das taxas e dos custos operacionais para realizar seus jogos no Maracanã. “O futuro administrador do Maracanã tem que entender que o conceito do Maracanã é diferente, ainda mais com a manutenção do Célio de Barros e do Júlio Delamare. O Maracanã só fica de pé com uma parceira com os clubes. Eles podem até participar do futuro processo caso se associem a empresas”, disse a fonte, acrescentando que o governo do Estado descarta a possibilidade de reestatizar o Maracanã. A Odebrecht também lidera os consórcios que administram as arenas Pernambuco e Fonte Nova, em Salvador, utilizadas na Copa de 2014, por meio da Odebrecht Properties. Procurados, a Concessionária Maracanã e o governo do Estado informaram que ainda mantêm as negociações com a Odebrecht pela permanência da concessão.

“Governo do Estado do Rio de Janeiro e Maracanã estão em fase final de reequilíbrio do contrato de concessão, com assinatura de aditivo que redefinirá o escopo e o cronograma das obras incidentais”, disse o consórcio do Maracanã.

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