April 1, 2016 / 5:11 PM / 2 years ago

Dilma pede resistência a "tendências antidemocráticas" em ato de reaproximação com MST

BRASÍLIA (Reuters) - Em cerimônia que marcou a reaproximação com os movimentos de trabalhadores sem terra, a presidente Dilma Rousseff assinou nesta sexta-feira 25 decretos de desapropriação de terras para reforma agrária e regularização de quilombos, e afirmou que é preciso se “manter vigilantes e oferecer resistência às tendências antidemocráticas e às provocações”.

Presidente Dilma Rousseff durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília. 31/03/2016 REUTERS/Adriano Machado

Na quinta cerimônia em duas semanas com movimentos contrários ao impeachment e grupos sociais simpáticos ao governo, a presidente diminuiu o tom duro que havia usado em manifestações anteriores.

Dilma concentrou a maior parte de seu discurso na defesa das ações do governo na área de reforma agrária —uma das mais criticadas pelos movimentos sociais pela lentidão nos processos desde 2011—, mas encerrou com mais um chamamento contra o processo de impeachment que corre no Congresso.  

“Hoje precisamos nos manter vigilantes e oferecer resistência às tendências antidemocráticas e as provocações. Não defendemos a perseguição de qualquer autoridade. Não defendemos a violência. Eles exercem a violência, nós não”, afirmou.

Dilma acrescentou que mais oportunidades e mais cidadania exigem mais democracia. “Nós sabemos que sem democracia a estrada das lutas contra as desigualdades será muito mais difícil. Por isso não vamos permitir que nossa democracia seja manchada.”

Em uma cerimônia de aproximadamente duas horas, o governo reuniu no Palácio do Planalto cerca de 500 representantes de movimentos sem terra, negros e quilombolas, em mais um ato de apoio claro ao governo em que não faltaram gritos de “não vai ter golpe” e críticas ao presidente da Câmara, Eduardo  Cunha (PMDB-RJ), ao juiz federal Sérgio Moro —chamado de golpista— e ameaças de invasão de terras e gabinetes.

“A forma de enfrentar a bancada da bala é ocupar as terras deles. Vamos ocupar as propriedades deles, as casas deles no campo. Vamos ocupar os gabinetes, mas também as fazendas deles”, discursou o secretário de finanças e administração da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Aristides Santos.

“Se eles são capazes de incomodar um ministro do Supremo Tribunal Federal, vamos incomodar as casas deles, as fazendas e as propriedades deles. Vai ter reforma agrária, vai ter luta e não vai ter golpe.”

Coordenador do MST, Alexandre Conceição, disse que Moro, que cuida dos processos da operação Lava Jato em primeira instância, usa sua caneta para fazer “maldades com o povo brasileiro”. Ele prometeu que o movimento vai para as ruas defender o governo.

“Nós vamos ocupar as ruas em defesa de seu mandato, presidente. A senhora é uma mulher honrada e não pode ser julgada por um bandido como o Eduardo Cunha”, disparou.

Antes mesmo do evento começar, com Dilma já no salão nobre do Palácio do Planalto, foram 21 minutos de gritos de guerra, intervenções e cantos contra o impeachment, em uma clara mudança de tom dos movimentos sem terra em relação ao governo.

Até o agravamento da crise política, o MST era um dos maiores críticos do governo Dilma, por conta da baixa média de desapropriações para a reforma agrária.   

As últimas feitas pelo governo foram em janeiro de 2015. Desde 2013, o processo foi tornado mais lento quando a Casa Civil passou a ser obrigada a consultar diversos órgãos do governo antes de levar adiante as desapropriações.

Reportagem de Lisandra Paraguassu

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