April 4, 2016 / 8:07 PM / in 2 years

Dólar sobe 1,43% e vai acima de R$3,60, com cena política e BC

Por Bruno Federowski

Funcionário contando cédulas de dólar em casa de câmbio 15/4/15 REUTERS/Murad Sezer

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta e foi acima de 3,60 reais nesta segunda-feira, após encerrar no menor nível em sete meses na sessão anterior, com investidores preferindo estratégias mais defensivas em meio ao noticiário político intenso no Brasil e à atuação do Banco Central.

O dólar avançou 1,43 por cento, a 3,6138 reais na venda, após recuar a 3,5627 reais na sexta-feira.

Na máxima do dia, a moeda norte-americana foi a 3,6156 reais. O dólar futuro avançava cerca de 1,8 por cento no final da tarde.

“A crise política é o principal fator afetando os mercados locais. As notícias não param de chegar de Brasília”, disse o superintendente regional de câmbio da corretora SLW, João Paulo de Gracia Corrêa.

Logo após o fechamento dos mercados, o governo protocolou a defesa da presidente Dilma Rousseff na comissão da Câmara dos Deputados que analisa o pedido de impeachment. O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, pediu o arquivamento do processo, alegando falta de fundamentação jurídica e que na origem do pedido há um ato de “vingança” do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A manobra vem em um momento em que o Planalto busca angariar votos de deputados para impedir que o processo de impedimento avance. A percepção de que esses esforços podem dar resultados ganhou um pouco de força nos últimos dias após o rompimento do PMDB com o governo expor disputas internas no maior partido do Brasil.

Muitos investidores do mercado financeiro enxergam a possibilidade de impeachment de Dilma como um primeiro passo para a recuperação da confiança no país.

“O mercado está colocando a probabilidade de impeachment em mais ou menos metade. Ou seja, tem espaço para subir muito e para cair muito, dependendo da política”, disse o operador de um importante banco nacional.

Outro fator que vem concentrando as atenções do mercado é a estratégia de intervenções cambiais do BC.

Após a forte queda de sexta-feira passada, o BC anunciou para esta sessão leilão de até 14.100 swaps reversos, contratos equivalentes a compra futura de dólares, e manteve a estratégia de promover vendas parciais, colocando apenas 8.140 contratos.

“O BC continuou a agir de pouco em pouco, só suavizando a trajetória do câmbio”, disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado.

O BC também manteve para esta sessão a oferta de até 5,5 mil swaps tradicionais —que agem na ponta inversa dos swaps reversos, funcionando como venda futura de dólares— para rolagem dos contratos que vencem no mês que vem.

A autoridade vendeu novamente a oferta integral. Com isso, repôs ao todo o equivalente a 536 milhões de dólares, ou cerca de 5 por cento do lote do mês que vem, que corresponde a 10,385 bilhões de dólares.

Se mantiver esse ritmo até o penúltimo dia útil deste mês, o BC rolará cerca de metade do lote de março. O BC rolou aproximadamente 67 por cento do lote de abril, após promover sete rolagens integrais consecutivas.

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