August 22, 2017 / 8:58 PM / a year ago

Maia diz que reforma política vai a voto mesmo sem acordo; "vamos ver o que acontece"

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reconheceu que não há um entendimento entre as lideranças sobre um novo sistema eleitoral e um fundo para financiamento de campanhas, mas mesmo assim colocará em votação a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata dos dois temas nesta terça-feira no plenário da Casa.

Maia passou a tarde conversando com lideranças, na tentativa de construir algum consenso em torno da PEC, sem sucesso. Mais cedo, o relator da proposta, deputado Vicente Cândido (PT-SP), chegou a avaliar que a votação poderia ficar para a quarta-feira.

“Reforma política não tem acordo nunca, tem que ter voto, vamos ver o que acontece”, disse Maia a jornalistas.

“Se tivesse acordo, não precisava de voto. Precisa de plenário porque precisa de voto”, afirmou.

O problema gira em torno da definição do sistema eleitoral a ser adotado no lugar das eleições que atualmente ocorrem pelo sistema proporcional.

Pelo texto produzido na comissão especial que analisou PEC, seria adotado um sistema majoritário —o chamado “distritão”— como um modelo de transição nas eleições de 2018 e 2020. A partir de 2022 seria adotado o distrital misto, em que metade das vagas seria preenchida a partir de uma lista fechada, e a outra por meio do voto majoritário em distritos.

A tese do distritão, no entanto, não obteve o apoio de 308 votos necessários para ser aprovada, por se tratar do texto de uma PEC. Segundo Cândido, 285 deputados votariam a favor da ideia.

O problema é que os defensores desse sistema vincularam a aprovação do fundo à aceitação desse sistema. Chegaram a flertar —de olho em partidos como PT, PR e PCdoB, que temem um enfraquecimento das legendas caso seja adotado o distritão— com a possibilidade de instituir um sistema majoritário em que os votos em legendas seriam computados pelos candidatos mais votados de cada partido, o chamado distritão misto.

A sugestão, no entanto, também parece não ter comovido parcela suficiente dos deputados.

Segundo o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB), deve ser votado ao menos o texto-base nesta terça-feira, deixando a análise de temas mais polêmicos —como o fundo e o sistema eleitoral— para a quarta-feira. Caso deputados consigam garantir a votação do texto principal, garantem o andamento da tramitação e ainda ganham tempo para negociar.

Reportagem de Maria Carolina Marcello

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