April 6, 2018 / 12:54 PM / 5 months ago

Lula fará pronunciamento e decide não se entregar em Curitiba

Por Lisandra Paraguassu e Gram Slattery

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento no Rio de Janeiro 16/03/2018 REUTERS/Paulo Whitaker

BRASÍLIA/SÃO BERNARDO DO CAMPO, 6 Abr (Reuters) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará um pronunciamento a aliados e simpatizantes no início da tarde desta sexta-feira e decidiu que não se entregará às autoridades em Curitiba, como determinou o juiz Sérgio Moro ao decretar a prisão do petista no caso sobre o tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo.

Segundo fontes, ainda não foi tomada a decisão sobre se Lula se apresentará à superintendência da Polícia Federal em São Paulo ou se permanecerá na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, aguardando os policiais virem prendê-lo.

Para decidir, Lula aguarda uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre um pedido de habeas corpus feito por sua defesa para evitar que ele seja preso nesta sexta, como determinou Moro. O ex-presidente passou a noite no sindicato, onde fará seu pronunciamento.

O pedido de habeas corpus argumenta que ainda existem recursos a serem apresentados junto ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e que, por isso, Moro não poderia ter determinado o início do cumprimento da pena de 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso sobre o tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo.

A análise do pedido de habeas corpus deve ficar com o ministro Felix Fischer, relator dos casos envolvendo a operação Lava Jato no STJ. Fischer é membro da 5ª Turma do STJ, que recentemente negou por unanimidade pedido de habeas corpus preventivo da defesa de Lula.

Na quinta-feira, Moro determinou que Lula se apresente em Curitiba até as 17h desta sexta para começar a cumprir a pena e que uma sala seja reservada na Superintendência da Polícia Federal no Paraná para Lula. O juiz também vetou que o ex-presidente seja algemado.

Existe ainda a possibilidade de Lula se apresentar à superintendência da PF em São Paulo, localizada na zona oeste da capital paulista, e ser posteriormente levado à capital paranaense. Em sua decisão, Moro determinou que os advogados de Lula negociem os termos de sua apresentação com a PF no Paraná.

O petista, que passou a maior parte da quinta-feira reunido com aliados na sede do Instituto Lula na zona sul de São Paulo, foi para o sindicato após a expedição do mandado de prisão por Moro. Ainda na noite de quinta, um grande ato de apoio ao petista foi realizado em frente ao sindicato, mas Lula não discursou.

A quantidade de pessoas em frente ao sindicato diminuiu durante a madrugada, mas voltou a crescer pela manhã.

“Hoje estamos sob um golpe judiciário, um golpe midiático, e a gente tenta resistir. Não existe só um Lula. Tem muitos Lulas aqui. Somos milhões de Lulas”, disse Cassio Gonçalves, técnico em segurança do trabalho, um dos simpatizantes de Lula que estava na região do sindicato.

O petista é acusado de receber o imóvel como propina paga pela empreiteira OAS em troca de contratos na Petrobras.

Ele nega ser dono do tríplex, assim como quaisquer irregularidades. Lula, que é réu em outros seis processos, afirma ser alvo de uma perseguição política promovida por setores do Ministério Público, do Judiciário e da Polícia Federal com o objetivo de impedi-lo de ser candidato.

Reportagem adicional de Eduardo Simões, em São Paulo, e Ricardo Brito, em Brasília

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