August 21, 2018 / 12:46 AM / in 3 months

Diante de sindicalistas, Haddad assume tom de candidato e mira Alckmin

SÃO PAULO (Reuters) - O candidato a vice-presidente na chapa do PT, Fernando Haddad, adotou uma retórica voltada à militância em evento com sindicalistas em São Paulo nesta segunda-feira e reforçou as críticas ao PSDB, do candidato à Presidência, Geraldo Alckmin, voltando a sinalizar que o tucano foi escolhido como principal adversário dos petistas na eleição de outubro deste ano.

Fernando Haddad durante evento em Brasília 14/8/2018 REUTERS/Adriano Machado

Em evento sobre soberania energética na sede do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Haddad chegou a ser saudado como candidato do partido ao Palácio do Planalto e vestiu o jaleco laranja da Petrobras com a logomarca da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Ele afirmou ainda que o plano econômico adotado pelo presidente Michel Temer, que assumiu em 2016 após impeachment da petista Dilma Rousseff, é “rigorosamente o mesmo” que Alckmin defende na campanha.

O ex-prefeito de São Paulo também comemorou a divulgação de pesquisas eleitorais nesta segunda, que continuam a mostrar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na liderança, e aproveitou sua fala para exaltar o ex-presidente, preso desde abril em Curitiba.

“Lula está firme e forte. É impressionante a capacidade do cara de resistir a tudo”, disse Haddad aos militantes. O candidato a vice tem visitado Lula frequentemente na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde o ex-presidente cumpre pena, como na manhã desta segunda, quando esteve com ele.

“Pode ter 20 candidatos (à Presidência). Mas projeto tem só dois: o que deu certo e o Temer”, acrescentou o petista após elencar uma série de indicadores do período em que Lula foi presidente.

Condenado pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª região a 12 anos e 1 mês de prisão no caso do tríplex do Guarujá (SP), Lula teve a candidatura registrada pelo PT junto à Justiça Eleitoral na semana passada, mas deve ser barrado de disputar a eleição pela Lei da Ficha Limpa. O partido, no entanto, tem insistido que lutará até o fim para que Lula possa ser candidato.

Sem citar nomes, Haddad, apontado como substituto de Lula caso o ex-presidente seja impedido de concorrer, fez a avaliação de que os adversários “estão ficando nervosos” e indagou por qual motivo os rivais de Lula são contra a participação do ex-presidente em debates.

“Até de mim estão com medo”, ironizou em uma referência indireta ao fato de adversários terem se posicionado contra sua participação em debates em substituição a Lula. “Está feio o negócio do lado de lá.”

PATERNIDADE

Haddad afirmou ainda, em seu discurso, que respeitaria mais o PSDB se o partido assumisse a “paternidade” das medidas adotadas por Temer e lembrou que parlamentares tucanos foram relatores de medidas polêmicas do governo do emedebista.

“Tem sempre um tucano por trás da maldade”, disse Haddad, que afirmou que o plano econômico de Temer não foi elaborado pelo emedebista, pois, de acordo com o ex-prefeito, ele “não consegue ligar dois pontos.

Após seu discurso, quando indagado se estava elegendo o tucano Alckmin como principal adversário, Haddad desconversou.

“O que eu disse e repito é que o programa econômico do Alckmin é rigorosamente o mesmo do Temer, porque foi o PSDB que fez o programa econômico do Temer”, disse.

“Quem está em primeiro lugar não tem o principal adversário”, garantiu, referindo-se à posição que Lula ocupa nas pesquisas.

Reportagem de Eduardo Simões

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