October 2, 2018 / 2:20 PM / in 2 months

WIDER IMAGE - Violência do Rio deixa marcas duradouras em famílias das vítimas

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Rosilene Alves aponta para buracos de bala em muro da escola onde sua filha foi baleada em 2017, no Rio de Janeiro 22/04/2018 REUTERS/Pilar Olivares

Por Pilar Olivares

RIO DE JANEIRO, 2 Out (Reuters) - Na manhã do dia 8 de abril, Eduarda Lopes, de 12 anos, viu sua mãe, Valdilene da Silva, ser atingida por uma bala perdida na favela de Manguinhos, no Rio de Janeiro — uma das incontáveis vítimas da violência crescente da cidade.

Agonizando em uma poça de sangue, Valdilene usou o pouco fôlego que lhe restava para dizer à filha que corresse e se escondesse, mas, apesar do medo de ser morta, a menina continuou com a mãe.

“Esperei até o último momento com ela, do lado dela”, disse Eduarda à Reuters, com lágrimas escorrendo pelo rosto.

“Eu não tinha acreditado”, disse ela sobre ter visto o corpo da mãe mais tarde naquele dia. “Ela estava deitada e parecia uma boneca, dormindo. A única coisa que consegui pegar foram os brincos que ela estava usando”.

A violência tem aumentado no Rio de Janeiro, e cada vez mais vítimas são pegas no fogo cruzado. A insegurança generalizada se tornou um tema central da eleição de 7 de outubro e ajuda a explicar a ascensão do candidato Jair Bolsonaro (PSL), que defende afrouxar as leis de porte de arma para a população e aumentar o combate armado à criminalidade.

O Estado do Rio de Janeiro registrou mais de 4.500 assassinatos durante os oito primeiros meses de 2018, um aumento de 6 por cento em relação ao mesmo período de 2017.

Mais de 1 mil pessoas morreram em confrontos com a polícia no Estado entre janeiro e agosto, mostram dados oficiais, uma elevação de mais de 50 por cento em relação ao mesmo período de 2017. As autoridades dizem que os mortos são na maioria membros de facções do tráfico de drogas, mas moradores alegam que inocentes também foram vitimados.

Em março de 2017, Maria Eduarda Alves, de 13 anos, estava em uma aula de educação física em sua escola na comunidade carioca da Pedreira quando tiros foram ouvidos. Ela sofreu um ferimento fatal enquanto os professores tentavam conduzir os alunos de volta para as salas de aula.

Mais tarde dois policiais foram acusados da morte da menina. Um vídeo de celular, filmado por alguém próximo da escola e publicado em redes sociais, também mostrou os policiais executando dois suspeitos que ficaram feridos durante os disparos.

“Ainda não estou legal. Ainda sinto... muita saudade”, disse sua mãe, Rosilene Alves, usando uma camiseta com as palavras “Vibração Positiva” e apontando para o buraco de bala que perfurou a entrada da escola e matou sua filha.

“A vida continua. Não está sendo fácil”.

Alda Rafael Castilho, uma policial de 27 anos, foi morte em um ataque a tiros à base policial em que trabalhava no violento complexo de favelas da Penha em 2014.

“E continua isso”, disse sua mãe, Maria Rosalina Rafael da Silva, de 65 anos. “Jovens morrendo, famílias sendo destruídas. Porque eu posso dizer que eu estou destruída”.

Reportagem adicional de Gabriel Stargardter

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