October 26, 2018 / 7:24 PM / in 22 days

Terras e cultura indígenas estão em jogo em eleição presidencial, dizem especialistas

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Thomson Reuters Foundation) - Uma vitória do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no domingo pode fazer com que os povos indígenas do Brasil percam terras lucrativas, disseram ativistas e pesquisadores.

Indígenas em Campo Novo do Parecis (MT) 26/4/2018 REUTERS/Ueslei Marcelino

Pesquisas de opinião mostram Bolsonaro a caminho da vitória ne eleição presidencial, o que cria a perspectiva de uma nova guinada na política que pode exacerbar a ameaça às preciosas florestas tropicais do país e acelerar a exploração econômica de sua paisagem majestosa.

“Tudo o que foi conquistado está em risco”, afirma Carlos Nobre, renomado climatologista que, atualmente, atua como pesquisador no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP).

Existem boas razões para esse alarmismo. Durante a campanha Bolsonaro disse que “não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola” e que as terras indígenas podem ser abertas para a exploração econômica, incluindo o agronegócio e a mineração.

Ele também prometeu relaxar a supervisão “excessiva” da agência ambiental do país e fundir os ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura, mas nesta semana afirmou estar aberto a negociações sobre as pastas.

Na quinta-feira, o candidato do PSL desistiu de uma promessa anterior de romper com o acordo climático de Paris de 2015 para lidar com a mudança climática. Bolsonaro disse que o Brasil poderia atingir as metas do Acordo de Paris sem aderir ao pacto, mas que o país continuará como signatário.

O recuo quanto ao acordo climático pode ser um sinal positivo, mas “é só um primeiro passo”, disse Paulo Barreto, do instituto de pesquisa Imazon, acrescentando que “a preocupação continua” no tocante aos danos em potencial ao meio ambiente.

Proteger os ecossistemas frágeis do país depende do combate ao desmatamento e ao fortalecimento da supervisão ambiental, acrescentou Barreto, “então ele (Bolsonaro) terá que mudar sua visão em relação aos outros aspectos também”.

Aliados de Bolsonaro dizem que ele pretende substituir os chefes de estatais que controlam grandes projetos de geração de energia e reduzir as multas para agricultores que violam leis ambientais.

“Se Bolsonaro implementar esse discurso hostil que ele tem, tem risco de não ter demarcação de novas terras e de perder territórios que já existem”, disse Barreto.

Bolsonaro não respondeu a pedidos de comentário. Em pesquisa divulgada na quinta-feira ele apareceu com 56 por cento dos votos válidos, enquanto Fernando Haddad (PT) tinha 44 por cento.

O maior país da América do Sul está enredado em dezenas de disputas de terra sangrentas, que ilustram as tensões existentes entre a preservação da cultura indígena e o desenvolvimento econômico.

Entre junho e setembro o desmatamento cresceu 36 por cento quando comparado ao ano anterior, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Especialistas preveem que o pior está por vir.

    “Nós podemos estar diante de um desastre ambiental sem precedentes nos próximos quatro anos”, disse Paulo Artaxo, pesquisador e membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

“A maior preocupação é a Amazônia. Segundo as declarações dadas por Bolsonaro, podemos concluir que o processo de ocupação da Amazônia e o desmatamento irão aumentar”.

Haddad prometeu direitos de ocupação para comunidades tradicionais e títulos de terra para indígenas e quilombolas em seu plano de governo oficial, mas sem dar maiores detalhes.

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