November 1, 2018 / 7:30 PM / 14 days ago

Jungmann anuncia inquérito para investigar ações para impedir avanço das apurações no caso Marielle

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou nesta quinta-feira que determinou, a pedido da procuradora-geral da República a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para investigar acusações que apontariam o envolvimento de agentes públicos e milicianos em ações para impedir o avanço das apurações do caso dos assassinatos da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes, em março.

Cartaz com rosto da vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018, na frente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro 15/03/2018 REUTERS/Pilar Olivares

As acusações foram feitas em depoimentos prestados a procuradores da República, disse Jungmann em entrevista coletiva.

O ministro anunciou que o novo inquérito vai apurar a prática dos crimes de organização criminosa, coação no curso do processo, fraude processual, favorecimento pessoal, patrocínio infiel, exploração de prestígio, falsidade ideológica, outras falsidades e eventual crime de corrupção relacionados aos dois assassinatos.

Segundo Jungmann, as acusações são “gravíssimas” e têm de ser apuradas. Sem dar detalhes, ele disse que, conforme os depoimentos, haveria uma organização criminosa formada por agentes públicos, milicianos e contraventores que teriam atuado para obstruir, impedir e desviar a elucidação do crime.

Um dos depoimentos foi tomado há pouco mais de um mês e o segundo, entre 15 e 20 dias atrás. Segundo o ministro, os depoentes terão direito à proteção policial e não há prazo para a conclusão do inquérito da PF.

Até o momento, o assassinato de Marielle e Anderson vem sendo conduzido exclusivamente pelo Ministério Público Estadual do Rio e pela Polícia Civil fluminense.

O ministro disse que o MPE vai continuar levando adiante a apuração da morte do caso de Marielle. Ele destacou que o MP Federal vai investigar para elucidar a atuação de pessoas impedindo o avanço das apurações sobre quem seria o mandante do crime.

A Procuradoria-Geral da República chegou a avaliar no início das apurações federalizar as investigações do assassinato, lembrou Jungmann, mas houve um movimento da MP do Estado do Rio, que obteve uma liminar do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que lhe garantiu a competência para conduzir essa investigação.

O ministro disse que essa nova frente de investigação poderá ajudar, de alguma forma, também na elucidação do crime.

“É um crime que, sem sombra de dúvida, fere a democracia”, disse. “Não recomeça do zero (a investigação), porque você vai ter duas apurações correndo em paralelo.”

Jungmann disse que não poderia opinar sobre reportagem do jornal O Globo que aponta a suposta participação da cúpula da Polícia Civil no acobertamento do crime, a partir da acusação que teria sido feita por um miliciano. “Não tenho como confirmara nem desconfirmar”, disse.

Reportagem de Ricardo Brito

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below