January 13, 2019 / 12:32 PM / 3 months ago

Italiano Cesare Battisti foi preso na Bolívia após escapar da prisão em 1981

MILÃO (Reuters) - O ex-guerrilheiro italiano Cesare Battisti, que está foragido há quase quatro décadas depois de ter sido condenado por assassinato, foi preso na Bolívia e deve ser extraditado para a Itália, disseram autoridades neste domingo.

    “Ele logo chegará ao Brasil e daqui será transferido para a Itália para cumprir pena de prisão perpétua”, escreveu no Twitter Filipe G. Martins, assessor de assuntos internacionais do presidente Jair Bolsonaro.

    Um avião transportando policiais e oficiais de inteligência italianos já está a caminho da América do Sul, informou neste domingo o Ministério do Interior da Itália.

    O ministro do Interior, Matteo Salvini, que também é vice-primeiro-ministro, disse à televisão que esperava que Battisti estivesse na Itália no meio da semana.

    Battisti, de 64 anos, enfrenta prisão perpétua em seu país de origem, onde foi condenado por quatro assassinatos cometidos na década de 1970. Ele negou a responsabilidade por quaisquer mortes.

    Ele escapou da prisão em 1981 e viveu na França antes de fugir para o Brasil para evitar ser extraditado.

    Battisti, que tem um filho brasileiro de cinco anos, passou anos no Brasil, apoiado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    No entanto, Bolsonaro, que assumiu o cargo neste mês, prometeu mandá-lo de volta para a Itália. Em dezembro, um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) ordenou a prisão de Battisti, mas a essa altura ele já havia se estabelecido novamente.

    Em um comunicado neste domingo, Salvini agradeceu à polícia e a todos os envolvidos na captura de Battisti.

“Agradeço de todo o coração ao presidente Jair Bolsonaro e ao novo governo brasileiro pela mudança do clima político”, disse ele.

Salvini, chefe do Partido Liga, de direita, que é parceiro de coalizão do Movimento 5 Estrelas, foi um dos primeiros políticos europeus a endossar a eleição de Bolsonaro.

O presidente italiano, Sergio Mattarella, expressou no domingo sua satisfação pela prisão de Battisti. “Esperamos que Battisti seja rapidamente entregue à justiça italiana”, disse ele.

Battisti, que se tornou um escritor de sucesso, disse no ano passado que enfrentaria tortura e morte se fosse enviado de volta à Itália.

Seu advogado disse à Reuters no mês passado que interpôs recurso contra a decisão do STF, tentando bloquear outra tentativa de extraditar seu cliente.

Por Stephen Jewkes

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