January 26, 2019 / 8:21 PM / 7 months ago

Protocolo para barragens precisa mudar e MP terá ação mais severa, diz Dodge

(Reuters) - A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou neste sábado que é necessário mudar o protocolo de segurança de barragens no país e que o Ministério Público terá ação mais severa e firme na tragédia em Brumadinho após os aprendizados com o desastre em Mariana, também em Minas Gerais, em 2015.

Área atingida por rompimento de barragem em Brumadinho (MG) 25/01/2019 REUTERS/Washington Alves

“Sabemos que há um protocolo cientifíco que garante a segurança das barragens, mas sabemos também que é preciso aprimorar esse protocolo científico porque ele tem falhado”, disse ela à imprensa, após ter visitado um espaço da mineradora Vale que está funcionando como centro de apoio após o acidente.

“Só o Estado de Minas Gerais tem quase 700 barragens que estão classificadas em razão do risco de rompimento e é preciso garantir que esse risco seja realmente baixo e que as informações sobre isso sejam confiáveis”, disse.

Na véspera, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, afirmou que a tragédia causou surpresa pelo fato de laudos técnicos recentes terem apontado baixo risco de acidente no local.

O vice-presidente da República, general da reserva Hamilton Mourão, disse à Reuters neste sábado que é preciso averiguar se as verificações e inspeções foram de fato realizadas ou se “foi só papel”. [nL1N1ZQ07E]

Aos jornalistas, Dodge afirmou que “certamente há um culpado” e que o Ministério Público está examinando como agirá em relação à Vale.

O acidente ocorreu pouco mais de três anos depois de a barragem Fundão, da Samarco, joint venture da Vale e da BHP Billiton, ter se rompido em Mariana, matando 19 pessoas e causando o pior desastre ambiental do Brasil.

Na avaliação de Dodge, o Ministério Público terá ação “mais rígida, mais severa e mais firme” após os aprendizados com a tragédia anterior.

A procuradora-geral da República também ressaltou a importância de soluções extrajudiciais para os problemas.

“A solução judicial vem, mas é um pouco mais lenta. É preciso que governos cobrem da empresa ou das empresas envolvidas a sua responsabilidade e que as empresas se apresentem resolvendo imediatamente os problemas”, disse.

A tragédia em Brumadinho já deixou 34 mortos.

A barragem 1, que se rompeu, estava paralisada há três anos e estava sendo descomissionada, segundo a Vale. A estimativa é que havia cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro no local.

Reportagem de Marcela Ayres, em Brasília

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