May 3, 2019 / 3:36 PM / 6 months ago

Bolsonaro diz que Maduro não cai sem envolvimento de generais venezuelanos e Brasil não vai dialogar

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que é preciso que as “fissuras” na base das Forças Armadas da Venezuela cheguem ao topo ou o presidente Nicolás Maduro não cairá, e destacou que o Brasil não pretende abrir diálogo com o atual governo porque Maduro não iria ceder ao que seria proposto.

Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto 30/04/2019 REUTERS/Adriano Machado

“A gente espera que essa fissura que está na base do Exército vá para cima. Não tem outra maneira. Se você não enfraquecer o Exército da Venezuela, o Maduro não cai”, afirmou Bolsonaro a jornalistas, após evento no Itamaraty.

Ao ser questionado se o Brasil mandaria emissários para tentar conversar com os militares ou com o próprio presidente venezuelano, negou.

“Acho que não tem o que conversar com ele. O que queremos no meu entender ele não vai querer”, afirmou.

Depois da tentativa frustrada do autoproclamado presidente interino da Venezuela Juan Guaidó de derrubar o governo de Maduro, a avaliação do governo brasileiro é que Guaidó não conseguiu aglutinar em torno de si os altos escalões das Forças Armadas.

As “fissuras na base”, citadas por Bolsonaro e outros membros do seu governo, mostram uma tendência nos escalões mais baixos e mais suscetíveis à crise econômica do país de apoiar Guaidó, mas que ainda não se refletiram entre os generais.

ARGENTINA

Durante a entrevista no Itamaraty, o presidente, no entanto, repetiu que sua maior preocupação no momento é a situação na Argentina.

Bolsonaro voltou a criticar a possibilidade de a ex-presidente argentina Cristina Kirchner vencer a eleição prevista para outubro deste ano no país vizinho.

Pouco antes, durante discurso na cerimônia de formatura do Instituto Rio Branco, com os novos diplomatas brasileiros, Bolsonaro afirmou, sem citar o nome da ex-presidente, que as preocupações agora devem se voltar à Argentina e que ninguém quer uma nova Venezuela no sul da América do Sul.

Na entrevista, Bolsonaro explicou que a Argentina enfrenta uma forte crise econômica e as últimas pesquisas apontam a liderança da ex-presidente Cristina Kirchner nas próximas eleições presidenciais.

Na noite de quinta-feira, em uma transmissão ao vivo, Bolsonaro argumentou que a ex-presidente argentina é ligada aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, além do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez e o atual mandatário daquele país, Nicolás Maduro.

“Se isso voltar, com toda a certeza a Argentina vai entrar numa situação semelhante à da Venezuela”, disse Bolsonaro na quinta-feira.

Nesta sexta, o presidente também fez um apelo aos novos diplomatas do Itamaraty para que trabalhem para um Brasil aberto aos grandes fluxos econômicos e para defenderem a democracia e a liberdade.

Ao começar seu discurso, Bolsonaro lembrou aos diplomatas: “Quando os senhores falham entramos nós, das Forças Armadas. E confesso que torcemos muito para que vocês não falhem.”

Mais tarde, na entrevista, esclareceu que a declaração não se referia à Venezuela ou a uma situação concreta.

“Eles (diplomatas) que nos evitam entrar em guerra, muito simples. Quando acaba a saliva entra a pólvora. Não queremos isso. Temos que tentar a solução dos conflitos de forma pacífica”, afirmou.

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