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Nacional

Pazuello defende diagnóstico e tratamento precoce para "parar sangramento" da pandemia

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, disse nesta segunda-feira que medidas de distanciamento social são de responsabilidade de Estados e municípios e que a pasta as apoia, mas ressaltou que o essencial para “parar o sangramento” das mortes provocadas pela pandemia de Covid-19 é o diagnóstico precoce e o tratamento imediato da doença.

Ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello 09/06/2020 REUTERS/Adriano Machado

“Diagnóstico e testagem são a base do tratamento precoce. Não está correto ficar em casa doente, com sintomas, até passar mal com falta de ar. Isso não funciona, não funcionou e deu no que deu e nós há dois meses já mudamos esse protocolo”, disse Pazuello durante cerimônia de inauguração de um centro de testagem para o coronavírus da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.

“Medidas preventivas e afastamento social são medidas de gestão dos municípios e Estados, e nós apoiamos todas elas, porque quem sabe o que é necessário naquele momento precisa de apoio, e nós apoiamos. Mas fica a lembrança, independentemente da medida que se tome, tem que estar aliada à capacidade de triar e procurar se as pessoas estão ou não com sintomas o tempo todo”, acrescentou o ministro.

Pazuello afirmou ainda que todas as vidas importam e que o governo sofre com todas as perdas, depois de no fim de semana o Brasil superar a marca de 100 mil mortos pela Covid-19, segundo maior número de mortos pela doença no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

“Todos os dias nós sofremos com as perdas e não é um número; não são 95 mil, 98 mil, 100 mil ou 101 mil que vai fazer a diferença. O que faz a diferença é cada um brasileiro que se perde e precisamos compreender como parar o sangramento”, afirmou o ministro, insistindo que, todas as pessoas que apresentarem sintomas, devem procurar um médico para diagnóstico e, se confirmado como Covid-19, iniciar imediatamente o tratamento prescrito.

“Já perdemos mais de 100 mil brasileiros e podem acreditar, estamos todos os dias revendo nossos protocolos, procurando o que tem de melhor e alterando aquilo que não estava dando certo.”

De acordo com dados do ministério, o Brasil já tem mais de 3 milhões de casos confirmados da doença e 101.049 pessoas morreram de Covid-19 no Brasil.

O ministro, que não tem formação em saúde e é general do Exército na ativa, disse que o país vive um “esforço de guerra” no combate à pandemia no qual, segundo ele, não existem diferenças partidárias ou ideológicas.

O presidente Jair Bolsonaro, no entanto, critica abertamente governadores e prefeitos que adotaram medidas de distanciamento social para conter a disseminação do vírus, especialmente quando elas partem de adversários políticos. O presidente também já ironizou a potencial vacina chinesa que está sendo testada pelo Instituto Butantan, ligado ao governo do Estado de São Paulo, comandado por João Doria (PSDB), desafeto político de Bolsonaro.

O presidente também minimizou a gravidade da pandemia no passado, chegando a classificar a Covid-19 de “gripezinha”, e o número de mortos causados pela doença, chegando a perguntar “e daí?” quando um jornalista o indagou sobre as vítimas fatais.

Bolsonaro defende ainda o uso da hidroxicloroquina --medicamento contra malária e doenças autoimunes que não tem eficácia comprovada cientificamente contra a Covid-19 e pode implicar em efeitos colaterais-- como tratamento para o coronavírus.

A Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19 da Fiocruz, inaugurada nesta segunda com a presença de Pazuello e que conta com financiamento de doadores privados, vai ampliar a capacidade nacional de processamento de testes moleculares para detecção da Covid-19 e poderá liberar, no auge do funcionamento, até 15 mil resultados de testes moleculares por dia.

Reportagem de Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro, e Eduardo Simões, em São Paulo

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