4 de Dezembro de 2012 / às 13:47 / 5 anos atrás

Cardozo diz que PF agiu dentro das regras na operação Porto Seguro

BRASÍLIA, 4 Dez (Reuters) - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse nesta terça-feira que a Polícia Federal não é alvo de ingerências políticas e que agiu corretamente na operação Porto Seguro, que desbaratou um esquema de venda de pareceres ilegais envolvendo integrantes de órgãos federais, incluindo a ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha.

Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fala no Palácio Presidencial, em Brasília, em novembro de 2011. 18/11/2011 REUTERS/Ueslei Marcelino

“Nos últimos 10 anos, a Polícia Federal se converteu, não é mais uma polícia de governo, é uma polícia de Estado”, disse Cardozo durante audiência pública na Comissão de Segurança Pública da Câmara, acrescentando que quando a PF tem operações que mexem com o meio político ou econômico sempre “há versões” sobre sua atuação.

“A interferência política e a análise do ministro da Justiça em momento algum é capaz de curvar essa instituição”, argumentou Cardozo.

Na tentativa de demonstrar que não há um racha entre a direção-geral e a superintendência da Polícia Federal em São Paulo, Cardozo levou à audiência pública o diretor-geral, Leandro Daiello, e o superintendente da instituição em São Paulo, Roberto Troncon.

O ministro fez questão de detalhar como foi informado sobre a operação Porto Seguro para, segundo ele, derrubar versões de que foi pego de surpresa com a ação da PF.

Cardozo disse que recebeu informações genéricas sobre a operação um dia antes de ela ser deflagrada e comunicou à presidente Dilma Rousseff no mesmo dia, após receber relato que recebeu de Daiello.

Horas antes da operação ser iniciada, ainda na madrugada, Cardozo obteve informações detelhadas e as repassou para o chefe de gabinete da presidente, Giles Azevedo, e ao ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general José Elito. Este, por sua vez, indicou a pedido da Policia Federal um membro do GSI de São Paulo para acompanhar a busca e apreensão no escritório da Presidência na capital paulista.

Segundo o ministro, na manhã da sexta-feira, dia 23 de novembro, a presidente foi informada dos detalhes da operação que estava em andamento.

“Fui informado como deveria ser. Genericamente na quinta e detalhadamente horas antes da operação. As regras mais uma vez foram cumpridas”, disse Cardozo aos parlamentares.

Segundo ele, como o inquérito da PF corre em segredo de Justiça, ele não poderia saber antes dos detalhes da operação, caso contrário colocaria estaria colocando em risco a independência do trabalho da polícia.

A operação Porto Seguro cumpriu mandados de busca e apreensão em órgãos do governo federal e no escritório da Presidência da República em São Paulo e resultou na detenção de três pessoas.

Também foram indiciadas 18 pessoas, entre elas a chefe de gabinete da Presidência em São Paulo e o advogado-geral adjunto da União, José Weber de Holanda Alves, acusados de envolvimento com um grupo que obtinha pareceres técnicos fraudulentos que eram vendidos a empresas interessadas. Os dois foram exonerados dos seus cargos.

Outros órgãos que sofreram buscas foram o Ministério da Educação, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Agência Nacional de Águas (ANA), a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

Por Jeferson Ribeiro

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