7 de Fevereiro de 2013 / às 15:58 / 5 anos atrás

Alta da inflação dificulta novo reajuste de combustível, diz analista

RIO DE JANEIRO, 7 Fev (Reuters) - A alta da inflação acima das expectativas em janeiro deve dificultar novos reajustes dos combustíveis ao longo do ano, na avaliação de um analista.

Um funcionário enche um tanque de gasolina na praia do Leme no Rio de Janeiro. A alta da inflação acima das expectativas em janeiro deve dificultar novos reajustes dos combustíveis ao longo do ano, na avaliação de um analista. 30/03/2011 REUTERS/Ricardo Moraes

“A janela de oportunidade para o reajuste (dos combustíveis) é a que se abriu com a queda nos preços de energia. Se mesmo com a redução nas tarifas o IPCA veio pressionado, é improvável um novo aumento (da gasolina e do diesel)”, disse Lucas Brendler, analista da corretora Geração Futura.

Nesta quinta-feira o IBGE divulgou a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que subiu 0,86 por cento em janeiro, a maior variação mensal em quase 8 anos.

Uma alta na gasolina e no diesel, em vigor desde o dia 30 de janeiro, deverá ter impacto em fevereiro, mesmo mês em que a redução no preço da energia elétrica anunciada pelo governo terá maior efeito na inflação para compensar o aumento dos combustíveis.

Brendler disse que a preocupação do governo com o controle da inflação é maior do que as preocupações com o caixa da estatal Petrobras, que vem tendo prejuízo com a venda de combustíveis nos últimos dois anos no país.

A Petrobras importa os combustíveis a preços mais caros do que revende no mercado doméstico.

Cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie) feitos nesta quinta-feira mostram que a gasolina nas refinarias no Brasil é vendida com defasagem de 13,8 por cento ante os preços dos Estados Unidos, e o diesel tem preço 21,7 por cento inferior no país, mesmo após os reajustes dos preços feitos no fim de janeiro.

O Cbie leva em consideração no cálculo os valores da gasolina e diesel vendidos nas refinarias norte-americanas e o câmbio.

Na segunda-feira, a Petrobras divulgou o resultado financeiro de 2012, no qual reportou um prejuízo de 22,9 bilhões de reais no ano na divisão de Abastecimento, que engloba a compra e venda de combustíveis.

A estatal precisa de caixa para fazer frente ao seu programa de investimentos de 237 bilhões de dólares em cinco anos e explorar o pré-sal, e tem defendido uma paridade entre os preços dos combustíveis no mercado externo com o valor interno.

A ação preferencial da Petrobras tinha queda de 0,28 por cento às 13h45, enquanto as ações ordinárias tinham baixa de 0,98 por cento. O Ibovespa recuava 0,8 por cento no mesmo horário.

Reportagem de Leila Coimbra

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