23 de Outubro de 2007 / às 03:57 / 10 anos atrás

Entidade italiana proíbe anúncio com mulher anoréxica

Por Marie-Louise Gumuchian

<p>Pessoas caminham perto de outdoor ilustrado com uma fotografia do diretor italiano Oliviero Toscani para a campanha de publicidade Nolita, no centro de Roma. O &oacute;rg&atilde;o respons&aacute;vel por fiscalizar as pe&ccedil;as de propaganda na It&aacute;lia decidiu proibir a fotografia de uma mulher nua e anor&eacute;xica em uma campanha que chamava aten&ccedil;&atilde;o para a doen&ccedil;a ao mesmo tempo em que promovia uma marca de roupa. Photo by Tony Gentile</p>

MILÃO, Itália (Reuters) - O órgão responsável por fiscalizar as peças de propaganda na Itália decidiu proibir a fotografia de uma mulher nua e anoréxica em uma campanha que chamava atenção para a doença ao mesmo tempo em que promovia uma marca de roupa.

A IAP, o órgão de regulamentação criado pelo setor de publicidade, afirmou que a imagem, de autoria do polêmico fotógrafo italiano Oliviero Toscani, violava o seu código de conduta.

A foto chocante apareceu em jornais e em outdoors durante a semana da moda de Milão, em setembro, com as palavras “Não à Anorexia” e o nome da grife Nolita, do grupo Flash&Partners.

As imagens já haviam sido retiradas dos outdoors de Milão, apesar de uma ainda continuar sendo exibida em Roma.

A IAP afirmou que a campanha publicitária desobedecia ao artigo 1 de seu código de conduta, segundo o qual um anúncio deve ser honesto, verdadeiro e correto, e ao artigo 10, segundo o qual um anúncio não pode ofender valores morais, cívicos ou religiosos e precisa “respeitar a dignidade humana em todas as suas formas e expressões”.

Toscani, que já fotografou um homem morrendo de Aids para uma campanha da marca Benetton, considerou a decisão um ato de “censura”.

“Vou me decidir sobre adotar ou não uma ação a fim de buscar uma indenização por danos morais e econômicos”, disse ele à Reuters, ressaltando que a decisão de proibir a campanha havia sido tomada por “uma entidade privada e não por uma autoridade judicial”.

“A ministra da Saúde disse que a campanha estava indo bem. A quem eu deveria dar ouvidos? À ministra da Saúde ou a uma entidade privada de justiça? E esse tipo de decisão chega tarde se chega quando a campanha já está pronta.”

A campanha da Nolita havia recebido o aval do Ministério da Saúde. A ministra italiana da Saúde, Livia Turco, afirmou que ela “poderia despertar a responsabilidade frente ao problema da anorexia.”

A ministra não se manifestou sobre a decisão da IAP.

Segundo a Flash&Partners, o objetivo de Toscani seria “usar o corpo nu para mostrar a todos a realidade dessa doença, provocada, na maior parte dos casos, pelos estereótipos vindos do mundo da moda.”

Mas a Associação para o Estudo da Anorexia, uma entidade italiana, afirmou que a imagem era “grosseira demais.”

O peso das modelos transformou-se em um assunto polêmico depois de duas modelos latino-americanas terem morrido de anorexia no ano passado. Segundo alguns, a obsessão do mundo da moda pelas silhuetas esquálidas levavam as mulheres a estarem sempre insatisfeitas com seus corpos.

A cidade de Milão respondeu à polêmica proibindo a participação de modelos menores de idade ou magras demais em seus desfiles.

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