11 de Agosto de 2008 / às 21:42 / em 9 anos

Robert Downey Jr. faz papel arriscado em "Trovão Tropical"

Por Alex Dobuzinskis

<p>Robert Downey Jr. faz papel arriscado em 'Trov&atilde;o Tropical'. Quando Robert Downey Jr. usou maquiagem escura para atuar na com&eacute;dia 'Trov&atilde;o Tropical', o ator aventurou-se no terreno racialmente perigoso do 'blackface', uma velha e pol&ecirc;mica conven&ccedil;&atilde;o do show business americano. Foto do Arquivo. Photo by Stephen Hird</p>

LOS ANGELES (Reuters) - Quando Robert Downey Jr. usou maquiagem escura para atuar na comédia “Trovão Tropical”, o ator aventurou-se no terreno racialmente perigoso do “blackface”, uma velha e polêmica convenção do show business americano.

Downey disse que, num primeiro momento, temeu que seu retrato de um branco representando um negro pudesse prejudicar sua carreira. Ele rejeitou a idéia de fazer o papel que imaginou que seria o mais polêmico no filme dirigido por Ben Stiller.

Até agora, porém, “Trovão Tropical”, que estréia nesta quarta-feira nos EUA, não gerou reações negativas contra o ator de 43 anos de “Homem de Ferro”.

A história de Hollywood com o “blackface” -- um estilo de uso de perucas e maquiagem para caricaturar escravos ou ex-escravos nos filmes do século 19 e início do século 20 -- data dos primórdios do cinema, mas praticamente deixou de existir, exceto em alguns casos de sátiras ou comédias.

Downey disse a jornalistas em entrevistas recentes que seu papel satiriza o narcisismo dos atores e difere dos usos antigos do “blackface”, que reforçavam estereótipos negativos.

Downey faz um ator australiano, Kirk Lazarus, que representa um sargento negro em um filme de guerra que está sendo rodado na selva. Quando um dos personagens é sequestrado por traficantes, seus colegas, para resgatá-lo, precisam agir na vida real como seus personagens agem no filme.

No caso de Lazarus, ele continua a representar o sargento mesmo depois de as filmagens pararem, e seu excesso de zelo o faz ser ironizado por um ator negro real representado por Brandon T. Jackson.

LONGA HISTÓRIA DO “BLACKFACE”

Muitos astros em Hollywood atuaram usando blackface, até o estilo cair em desuso durante o movimento dos anos 1950 em defesa dos direitos civis.

Os Irmãos Marx usaram blackface no filme “Um Dia nas Corridas”, de 1937, e Judy Garland e Mickey Rooney o fizeram em “Calouros na Broadway”, de 1941.

Cem anos atrás, platéias de imigrantes de países como Itália e Irlanda -- cujos habitantes muitas vezes não eram considerados “brancos” pelos americanos -- iam a espetáculos de blackface para rirem dos atores maquiados e se sentirem brancos, disse Mark Golub, especialista em blackface que leciona no Scripps College, na Califórnia.

Mas, segundo especialistas, o blackface também alimentava os sentimentos racistas.

“Devido à supremacia da brancura, a negritude tinha que ser seu oposto”, explicou Darnell Hunt, diretor do Centro Ralph J. Bunche de Estudos Afro Americanos da Universidade da Califórnia em Los Angeles.

Najee Ali, presidente do grupo de direitos civis Project Islamic HOPE, de Los Angeles, disse que assistiu a “Trovão Tropical” e que Downey evita ser ofensivo, evitando atuar como bufão. Mas Ali, que é negro, disse que teme que o filme possa levar a mais retratos ofensivos dos negros.

“O blackface ainda é blackface, e acho que é importante que não nos deixemos ser vistos pelo resto do mundo como palhaços”, explicou.

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