5 de Fevereiro de 2008 / às 09:33 / 10 anos atrás

Beija-Flor encerra o Carnaval com Sapucaí a seus pés

Por Denise Luna

<p>A escola de samba Beija-Flor faz sua apresenta&ccedil;&atilde;o no segundo dia de desfiles no Rio de Janeiro. &Uacute;ltima escola a desfilar na segunda-feira, a Beija-Flor pode mais uma vez chegar em primeiro no carioca, depois de levar para a avenida anima&ccedil;&atilde;o, luxo, criatividade nas coreografias e o melhor refr&atilde;o do dia. Photo by Stringer</p>

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Última escola a desfilar na segunda-feira, a Beija-Flor pode mais uma vez chegar em primeiro no Grupo Especial do Carnaval carioca, depois de levar para a avenida animação, luxo, criatividade nas coreografias e o melhor refrão do dia, cantado em coro pela Marquês de Sapucaí.

Além da escola de Nilópolis, que tenta o bicampeonato após a vitória em 2007, Imperatriz Leopoldinense e Grande Rio são outras do segundo dia de desfiles que têm chances de voltar no sábado das campeãs.

Cantado com força e cumplicidade pelas arquibancadas e camarotes, o samba-enredo da Beija-Flor sobre Macapá, que poderia aborrecer o público, foi tratado de forma inovadora pelos carnavalescos Alexandre Louzada, Fran-Sérgio, Laíla e Ubiratan Silva.

“O meu valor me faz brilhar; Iluminar o meu estado de amor; Comunidade impõe respeito; Bate no peito eu sou Beija-Flor”, foi o refrão cantado com mais entusiasmo pelo público durante toda a noite de desfiles.

Coreografias como a que simulou a pororoca e peixes nadando em meio a um mar de espuma branca também contagiaram a platéia, já nas primeiras horas de terça-feira. Torcedor da escola ou não, o público encerrou a festa da Sapucaí em 2008 batendo no peito dizendo ser Beija-Flor.

Aberto pela contagiante bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel, apesar de acompanhada de um samba morno e da invasão de cores na escola verde e branca, o segundo dia de desfiles teve ainda destaques isolados, como a concentração de rainhas de bateria famosas, que como sempre roubaram a cena atraindo todos os holofotes do início ao fim dos desfiles.

Estreante na avenida, a Miss Brasil 2007, Natália Guimarães, confessou estar mais nervosa para entrar na Sapucaí do que na passarela que lhe elegeu a mais bonita do país.

“Mas o Carlinhos de Jesus disse que eu estava preparada, e se ele disse eu estou”, afirmou a mineira, rainha de bateria da Vila Isabel, antes de entrar na avenida.

A escola da terra de Noel Rosa porém não aproveitou bem a sua rainha ao escolher um samba morno e um tema enfadonho, “Trabalhadores do Brasil”, que teve até ministro entre os passistas.

“Eu fui um dos criadores da Sapucaí, junto com o Brizola. Eu tenho a minha escola do coração, mas hoje eu sou Vila Isabel”, disse o ministro do Trabalho, Carlos Luppi.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, também era esperado para o desfile, mas um problema no joelho o deixou de molho no camarote da escola, segundo organizadores.

Uma pane no último carro da agremiação, que trazia a velha guarda, provocou um enorme buraco na avenida bem em frente aos jurados, o que tira da Vila qualquer chance de conquistar o campeonato.

RAINHA LUIZA

A veterana Luiza Brunet, desfilando pela Imperatriz Leopoldinense, mostrou porque é rainha aos 45 anos e não deixou nada a dever nem a Natália nem a Grazi Massafera, da Grande Rio, que também fez bonito no seu segundo ano na avenida.

A presença de Luiza, aliada aos cuidados da carnavalesca Rosa Magalhães com seu enredo sobre a família real “Joãos e Marias” -- sem patrocínio da Prefeitura, ao contrário de Mocidade e a São Clemente que abriram os dois dias de desfile com o mesmo tema --, garantiram à Imperatriz uma passagem correta e com luxo na dose certa.

Adriane Galisteu, da Unidos da Tijuca, encarnou com vontade a guardiã dos seres mágicos da floresta, ou seja, os duendes em que foram transformados todos os componentes da bateria que a seguiam. Os personagens faziam parte do enredo sobre coleções da escola do Borel, que mostrou a importância do assunto para a sociedade lembrando dos jardins botânicos, zoológicos, bibliotecas e encerrou o desfile com um carro representando o Museu do Louvre, de Paris.

Nas alas sobre coleções de brinquedos, o destaque foram os ursinhos de pelúcia representados por homens, gays ou não, mas fazendo uma referência aos chamados “bears” (urso em inglês), uma categoria de gays gordinhos e peludos.

Na Grande Rio, apesar da boa receptividade do público, o samba sobre o gás natural produzido pela Petrobras na Amazônia não empolgou. Já alguns carros mereceram aplausos, como um no início do desfile que lembrava o nascimento do universo com evoluções da Intrépida Trupe e o último carro, de 28 metros, reproduzindo robôs do projeto Piatã, que flutuam na água.

Os sambas, aliás, não ajudaram em nada as escolas na segunda-feira, com exceção da Beija Flor e Imperatriz, o que não ocorreu no primeiro dia de desfile, com Mangueira, Portela, Salgueiro e Viradouro empolgando o público e deixando a avenida com o sabor do dever cumprido.

Sem muitos concorrentes, a Beija Flor terminou o dia como preferida e aos gritos de “é campeã”, os mesmos que no dia anterior embalaram a Portela e, como em todos os anos, a Mangueira. No outro lado da corda, com risco de voltar para o Grupo de Acesso, estão São Clemente e Porto da Pedra, que, apesar de terem conquistado o público, pecaram pela simplicidade dos carros e fantasias quando comparadas às maiores agremiações.

Edição de Pedro Fonseca

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