8 de Março de 2008 / às 00:09 / em 10 anos

Finalmente surge uma razão para começar a beber

Por Maggie Fox

WASHINGTON (Reuters) - Pessoas que não bebem álcool podem ter uma razão para finalmente começar. Um estudo publicado na sexta-feira mostra que os abstêmios que começam a tomar esporadicamente vivem mais e são menos propensos a doenças cardíacas.

As pessoas que começaram a beber na meia-idade têm 38 por cento menos chances de problemas cardíacos graves, inclusive enfartes, do que os abstêmios --mesmo quando essas pessoas são obesas, diabéticas, hipertensas e têm outros agravantes, segundo a pesquisa coordenada por Dana King, da Universidade Médica da Carolina do Sul, em Charleston.

Muitos estudos já demonstraram que é mais saudável beber moderadamente do que ser abstêmio, mas sempre os cientistas alertavam que não havia razão para alguém começar a beber. Agora, segundo King, talvez haja. “Este estudo certamente desequilibra um pouco a balança”, disse King por telefone.

A equipe estudou prontuários médicos de 7.697 pessoas de 45 a 64 anos, que participaram de um estudo maior e inicialmente eram não-alcoólicos. No decorrer de dez anos, 6 por cento dos voluntários começaram a beber, segundo o artigo publicado por King e seus colegas na American Journal of Medicine.

“Nos quatro anos seguintes, monitoramos os novos bebedores e quando os comparamos com os não-bebedores persistentes, havia uma queda de 38 por cento no surgimento de novas doenças cardiovasculares”, afirmou King, sem saber explicar por que essas pessoas começaram a beber.

Esses resultados se mantinham mesmo quando os pesquisadores levavam em conta fatores como tabagismo, hipertensão, obesidade, raça, educação, sedentarismo e colesterol. Vários voluntários tinham mais de um fator de risco cardíaco e mesmo assim se beneficiavam do consumo de álcool.

De acordo com ele, menos de 1 por cento dos participantes do estudo bebiam mais do que o recomendado (uma ou duas doses por dia).

“Metade deles bebiam apenas vinho. Havia um benefício muito maior para os que só bebiam vinho”, acrescentou.

Agora, a equipe iniciou um novo estudo no qual voluntários inicialmente abstêmios vão tomar uma taça de vinho por dia, um copo de suco de uva, ou suco de uva enriquecido com antioxidantes, compostos que supostamente previnem contra doenças cardíacas.

Mas as descobertas não significam que as pessoas possam beber livremente, segundo King. Outro estudo publicado nesta semana mostra que a frequência e a quantidade do consumo de álcool afetam o risco de morte por várias causas.

Nesse estudo com 44 mil pessoas, ficou provado que homens que bebem cinco ou mais doses nos dias em que bebem têm 30 por cento mais chances de morrer do coração ou de derrame do que quem bebe apenas uma dose diária.

Em artigo na revista Alcoholism: Clinical and Experimental Research, a equipe do Instituto Nacional do Abuso de Álcool e do Alcoolismo dos EUA concluiu que beber de forma regular e moderada é mais saudável do que encher a cara de vez em quando.

Mesmo os homens que bebiam todos os dias do ano tinham menos chance de morrer de doenças cardíacas do que homens que bebiam entre 1 e 36 vezes por ano --desde que bebessem moderadamente.

“Apanhados em conjunto, nossos resultados reforçam a importância de beber com moderação”, escreveram os pesquisadores.

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