23 de Outubro de 2007 / às 03:38 / em 10 anos

Advogado de presos em Guantánamo elogia filme com Gyllenhaal

Por Mark Trevelyan

LONDRES (Reuters) - Um advogado de prisioneiros de Guantánamo diz que o trabalho mais recente de Hollywood sobre os sequestros e a tortura na guerra ao terror é surpreendentemente ousado e realista, mas não mudará a visão das pessoas da noite para o dia.

“Rendition”, com Jake Gyllenhaal e Reese Witherspoon, conta a história de um egípcio sequestrado pelos Estados Unidos assim que desembarca de um vôo em Washington.

Ele é enviado a um Estado norte-africano que investiga um atentado suicida e é sistematicamente torturado sob a supervisão de um agente da CIA (Gyllenhaal).

“Achei o filme surpreendentemente corajoso, em se tratando de Hollywood, e ele será visto por milhões de pessoas. Mas será que vamos persuadir o mundo num minuto? Não, é claro”, disse o advogado Clive Stafford Smith em uma pré-estréia de “Rendition”, em Londres, nesta semana.

Mas ele disse que a mídia tem um papel crucial a exercer na formação da opinião pública sobre o assunto e para que seja feita justiça para com os mais de 300 prisioneiros ainda mantidos como suspeitos de terrorismo no campo de prisioneiros dos EUA em Guantánamo, Cuba.

“Nem uma única pessoa teve sua libertação ordenada por um tribunal”, disse o advogado britânico, cuja organização humanitária, Reprieve, representa mais de 40 detentos de Guantánamo.

“Já libertamos mais de metade dos prisioneiros de Guantánamo. Nós (advogados) expomos a verdade legalmente. Vocês (jornalistas) o divulgam. Isso é realmente importante.”

FATOS E FICÇÕES

Embora a trama de “Rendition” seja fictícia, Stafford Smith disse que muitos dos detalhes são autênticos.

Ele sabe, por exemplo, de dois sírios cujos nomes foram apagados dos registros de passageiros, como aconteceu com Anwar el Ibrahimi, o personagem central do filme.

O advogado disse que já viu em primeira mão, também, como até mesmo familiares próximos são capazes de começar a suspeitar se um detento de fato tem vínculos com militantes -- dúvida que preocupa a esposa americana de Ibrahimi (Witherspoon) no filme.

A história contém fortes ecos de casos reais, como o do canadense de origem síria Maher Arar, preso durante uma escala em Nova York em 2002, deportado para a Síria e torturado.

Os EUA reconhecem que foram realizadas transferências internacionais secretas de suspeitos de terrorismo e mantiveram detentos em prisões secretas, mas nega que os tenha torturado ou entregue a países que praticam tortura.

O país diz que as informações obtidas com o interrogatório desses prisioneiros ajudaram a salvar muitas vidas, ao frustrar conspirações terroristas. No filme, quem explica isso é a oficial da CIA representada por Meryl Streep.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below