28 de Março de 2008 / às 16:44 / em 10 anos

Patti Smith revela mundo interior em exposição em Paris

Por Dominique Vidalon

PARIS (Reuters) - Para muitas pessoas ela é simplesmente a madrinha do punk, mas Patti Smith já fotografava, pintava e desenhava muito tempo antes de ganhar fama com a música.

A Fondation Cartier, em Paris, abriu na sexta-feira uma mostra de fotos e arte intitulada “Land 250”, nome da máquina fotográfica Polaroid vintage usada pela cantora de 61 anos, cuja música inspirou uma geração de bandas como The Clash, REM e Smiths.

“Desde 1967, eu desenho, escrevo e faço artes visuais, cinema e fotografia”, disse a cantora norte-americana a jornalistas antes da inauguração da exposição.

Vestindo jeans, camisa branca e gravata preta fina que são sua marca registrada, Smith disse que começou a fotografar com a Polaroid em 1995, após a morte de seu irmão e seu marido.

“Eu me sentia exausta. Não conseguia escrever ou desenhar. Fazer fotos com a Polaroid foi uma resposta imediata a minhas necessidades criativas, porque é simples e imediato. Isso me ajudou a reconquistar minha confiança como artista numa fase muito difícil de minha vida.”

Ela acabou por gostar do método, e as fotos, que são reveladas instantaneamente, tornaram-se “relíquias de minha vida”, segundo Smith.

Muitas das mais de 200 fotos em preto e branco possuem significados profundamente pessoais para Patti Smith. É o caso de imagens de talheres que pertenceram ao escritor francês Arthur Rimbaud, que ajudou a despertar seu interesse pela poesia.

Há também fotos dos chinelos usados por outro amigo, o falecido fotógrafo Robert Mapplethorpe.

A foto marcante em preto e branco feita por Mapplethorpe de Patti Smith, em pose andrógina e desafiadora, fez da capa de seu álbum de estréia -- “Horses”, de 1975 -- um marco instantâneo do movimento punk rock.

A mostra procura recriar o ambiente aconchegante de um loft, com poltronas, tapetes, guitarras e amplificadores espalhados pelo espaço.

Estão expostos desenhos feitos por Smith quando tinha 22 anos e frequentava o bairro parisiense de Montaparnasse, trechos de filmes e uma performance em áudio de “The Coral Sea”, poema que ela escreveu em memória de Mapplethorpe.

Várias das fotos Polaroid expostas mostram os túmulos de Mozart, Rimbaud ou do filósofo francês Jean-Paul Sartre.

Patti Smith diz que gosta de cemitérios, que vê como sendo lugares de “beleza e contemplação”.

Em seu próprio túmulo, ela gostaria de ver apenas uma palavra inscrita: “Trabalhadora”.

Ela vai apresentar-se na Fondation Cartier, sozinha e ao lado de convidados como Tom Verlaine, ex-vocalista da banda Television, com a qual ela ajudou a criar o cenário pré-punk no legendário clube CBGB, em Nova York.

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