24 de Junho de 2008 / às 19:21 / em 9 anos

Países ricos copiam escolas musicais antigangues da Venezuela

Por Jorge Silva e Frank Jack Daniel

<p>Pa&iacute;ses ricos copiam escolas musicais antigangues da Venezuela. Orquestras e coros de jovens da Venezuela ajudaram milhares de crian&ccedil;as a resistir a entrar na vida do crime em algumas das mais violentas favelas da Am&eacute;rica do Sul. Agora, pa&iacute;ses ricos est&atilde;o copiando o sistema.23 de junho. Photo by Jorge Silva</p>

CARACAS (Reuters) - Orquestras e coros de jovens da Venezuela ajudaram milhares de crianças a resistir a entrar na vida do crime em algumas das mais violentas favelas da América do Sul. Agora, países ricos estão copiando o sistema.

No ano passado, a Filarmônica de Los Angeles nomeou como seu diretor o maestro venezuelano e uma das maiores estrelas da música clássica no mundo, Gustavo Dudamel, de 27 anos, atraindo a atenção para a notável rede de escolas de música na qual ele estudou.

Cerca de 300 mil crianças venezuelanas, entre as quais muitas de bairros pobres ou de distantes cidades na região amazônica, agora escolhem violinos e trombones em vez de armas e drogas, provando que Mozart e Berlioz podem ser tão estimulantes como batidas de rap, mesmo para os jovens do século 21.

“Isto é visto como o projeto mais avançado da música clássica”, disse Dudamel. “Dar às crianças um futuro mesclado à sensibilidade que a música oferece é algo sem paralelo.”

Dudamel cresceu em uma cidade interiorana e começou a tocar violino aos 10 anos de idade. Ele se integrou ao sistema de escolas de música alguns anos depois para aprender a reger e aos 18 já era o diretor musical da orquestra jovem nacional.

Governos de vários lugares, desde Los Angeles à Escócia, podem não gostar muito do governo socialista adotado pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, mas irão em breve tentar reproduzir em suas ruas os bons resultados da Venezuela.

O centro musical no bairro de Carapita, em Caracas, é um dos primeiros exemplos do programa em ação em uma cidade onde a cada semana dezenas de pessoas morrem em confrontos de gangues rivais.

As aulas de música são dadas em um centro comunitário lotado em meio a um labirinto de ruelas e precárias casas de tijolos. Cerca de 200 crianças se reúnem por quatro horas de prática de música e coral durante seis dias na semana, no que os venezuelanos simplesmente chamam de “O Sistema”.

“A orquestra é minha família. Nada antes tinha me entusiasmado tanto como isto”, disse Francisco Henriques, de 14 anos, que pratica o trombone na cobertura de sua casa num morro, acompanhado por seu gato. “A música é tudo o que eu sempre desejei.”

Ao mesmo tempo em que traz disciplina e auto-estima, a orquestra insiste que as crianças e adolescentes frequentem a escola regular. Professores dizem que o sistema reduz drasticamente a evasão escolar em favelas que têm algumas das maiores taxas de homicídio do mundo.

“Nós estamos dando metas para as crianças”, disse o diretor da orquestra de Carapita, Reinaldo Justo. “Não sabemos se eles serão grandes músicos ou não, mas o que é importante é que nós os estamos salvamos do tempo ocioso, que em lugares como este pode ser imensamente destrutivo.”

Esta idéia de combater a delinquência gerando músicos tem um crescente número de entusiastas em países mais acostumados a tratar a música clássica como exclusividade de uma elite próspera.

A Grã-Bretanha se comprometeu na sexta-feira a dar instrumentos musicais a crianças pobres e ensinar música clássica em um esquema inspirado pela Venezuela, sob a direção do renomado violoncelista Julian Lloyd Webber e com o aporte de 600 mil dólares de recursos do Estado.

A Escócia iniciou projeto semelhante no ano passado, e Los Angeles planeja para outubro sua primeira orquestra de jovens nos mesmos moldes.

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