8 de Junho de 2008 / às 18:25 / 10 anos atrás

Tracey Emin leva sexo e morte à exposição da Royal Academy

Por Mike Collett-White

<p>Sombra da escultura 'Pink Narcissus', dos artistas Sue Noble e Tim Webster, &eacute; projetada em parede. A artista brit&acirc;nica Tracey Emin 'sexualizou' a Exposi&ccedil;&atilde;o de Ver&atilde;o da Royal Academy, levando imagens expl&iacute;citas a um evento tradicionalmente como celebra&ccedil;&atilde;o de arte formal e contida. Photo by Toby Melville</p>

LONDRES (Reuters) - A artista britânica Tracey Emin “sexualizou” a Exposição de Verão da Royal Academy de Londres, levando imagens explícitas a um evento anual visto tradicionalmente como celebração de arte formal e contida.

A artista plástica de 44 anos, figura central do movimento dos Jovens Artistas Britânicos, ao lado de Damien Hirst, acredita que a sala da qual foi curadora na exposição deste ano vai atrair jovens e idosos igualmente.

“As senhoras comportadas de meia-idade ... acho que mal conseguem esperar para entrar nesta sala”, disse ela a jornalistas nesta semana, na prévia para imprensa da exposição, que este ano chega a sua 240a edição anual.

Placas na entrada da sala avisam: “Há obras de arte nesta galeria que são chocantes”.

Estas incluem o trabalho de Mat Collishaw que mostra uma zebra copulando com uma mulher e uma foto de Damien Hirst num necrotério rindo ao lado da cabeça inchada de um homem morto.

Em anotações que acompanham a exposição, Emin argumentou que a foto de Hirst possui “significado documental” porque mostra “o momento em que Damien, então com 17 anos, atravessou a linha divisória que marcou a decolagem de sua carreira”.

Os trabalhos de Hirst, frequentemente vendidos por milhões de dólares, exploram há anos o tema da morte através de animais mortos conservados em formol ou, mais recentemente, de uma caveira de platina cravejada de diamantes que foi avaliada em até 100 milhões de dólares.

Célebre por sua arte criada para chocar, Emin disse que se sente honrada em ser membro da Royal Academy, apesar da reputação de formalidade da instituição.

“Gosto das restrições da Academy. Isso significa que você pode infringir as regras”, disse Emin.

De acordo com a Royal Academy, a exposição de verão deste ano é a maior no mundo de arte contemporânea. Este ano, cerca de 10 mil trabalhos de todas as mídias foram enviados à mostra, tendo sido escolhidos pouco mais de mil para serem expostos.

Entre eles há obras de artistas reconhecidos, como Georg Baselitz, Anish Kapoor e Jeff Koons, além de pintores e escultores recém-formados nas escolas de arte.

Muitos dos trabalhos estão à venda, e os preços variam desde 50 libras por uma aquarela de Jeremiah Scanlon até 258.500 libras por uma grande escultura de Shirazeh Houshiary.

Outras obras não estão à venda, como é o caso de “Ovo Rachado (Azul)”, de Jeff Koons. Seu “Coração Pendurado (Magenta/Ouro)” foi vendido por 23,6 milhões de dólares em novembro, valor que, na época, quebrou o recorde para trabalhos de artistas vivos em leilões.

A Royal Academia dá prêmios no valor total de 70 mil libras em dinheiro, dos quais 25 mil libras para o grande vencedor. Entre os vencedores dos anos anteriores figuram R.B. Kitaj em 1997 e os irmãos Jake e Dinos Chapman em 2003.

Este ano a exposição inclui uma galeria dedicada a Kitaj. O artista nascido nos EUA, que passou boa parte da vida na Grã-Bretanha e morreu no ano passado aos 74 anos, foi considerado uma das maiores influências do movimento da pop art.

A Exposição de Verão ficará aberta entre 9 de junho e 17 de agosto.

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