27 de Maio de 2008 / às 01:53 / em 9 anos

Prêmio em Cannes marca bom momento do cinema francês

Por Mike Collett-White e James Mackenzie

<p>O diretor franc&ecirc;s Laurent Cantet posa para fotos depois de receber a Palma de Ouro pelo filme 'Entre les Murs', em Cannes, dia 25 de maio. Os cr&iacute;ticos de cinema saudaram a primeira vit&oacute;ria francesa em 21 anos no Festival de Cannes, quando o drama 'Entre Les Murs' ganhou a Palma de Ouro de melhor filme, na noite de domingo. Photo by Vincent Kessler</p>

CANNES (Reuters) - Os críticos de cinema saudaram a primeira vitória francesa em 21 anos no Festival de Cannes, quando o drama “Entre Les Murs” ganhou a Palma de Ouro de melhor filme, na noite de domingo.

O triunfo representou mais um marco para o cinema francês, que recentemente viu Marion Cotillard receber o Oscar de melhor atriz e “Bienvenue Chez Les Ch’tis” virar sucesso de bilheteria nacional, visto por cerca de 20 milhões de pessoas.

A atriz Catherine Deneuve recebeu um prêmio especial, ao lado de Clint Eastwood, antes de o festival ser encerrado e centenas de jornalistas e executivos do cinema deixarem a cidade, na segunda-feira.

O festival deste ano teve a mistura costumeira de glamour de Hollywood e cinema independente contundente, e, embora os estúdios tenham se mostrado menos dispostos a gastar livremente na cidade turística da Riviera, nem isso, nem a chuva atrapalharam as muitas festas.

Grandes nomes como Angelina Jolie, Brad Pitt, Robert De Niro, Clint Eastwood, Penelope Cruz, Woody Allen, Steven Spielberg e Harrison Ford percorreram o tapete vermelho este ano, além dos astros esportivos Mike Tyson e Diego Maradona.

“Entre les Murs” é um retrato naturalista de um colégio de segundo grau num bairro parisiense em que o professor luta para manter a disciplina.

O filme trata de questões polêmicas na França, como a superlotação das salas de aula e os jovens imigrantes, mas não toma posição política declarada. Exibido quase ao final do festival, o filme cativou o público.

“Não me recordo de nenhum outro filme que fosse mais evidentemente vencedor”, disso crítico de cinema e veterano de Cannes Mark Cousins, acrescentando que “Entre les Murs” ajudou a resgatar a competição, de outro modo um tanto quanto desinteressante.

“FILME EXTRAORDINÁRIO”

O diretor Laurent Cantet disse que seu elenco de jovens atores ficou comovido quando assistiu ao filme pela primeira vez.

“Acho que eles sentiram que o filme falou deles e de seu mundo. Sentiram que tinham feito algo de importante”, disse ele à Reuters, antes de o presidente do júri, Sean Penn, entregar a Palma de Ouro ao filme que descreveu como “extraordinário”.

As escolhas do júri na última noite do festival foram em sua maioria condizentes com as preferências do público.

Benicio del Toro foi considerado o melhor ator pelo retrato de revolucionário argentino Ernesto “Che” Guevara no filme dirigido por Steven Soderbergh, e o prêmio de melhor atriz ficou com a brasileira Sandra Corveloni pelo drama “Linha de Passe”, de Walter Salles.

O Grande Prêmio foi dado ao italiano “Gomorra”, drama de Matteo Garrone sobre a máfia napolitana Camorra. O turco Nuri Bilge Ceylan levou o prêmio de melhor direção por “Três Macacos”, uma história sombria sobre segredos de família.

Mas a cerimônia de premiação trouxe algumas surpresas.

O documentário animado israelense “Valsa com Bashir” não foi reconhecido, apesar de ter sido largamente elogiado pelo modo comovente em que narra os esforços de um recruta de trazer à tona memórias passadas do massacre de palestinos nos campos de refugiados de Sabra e Shatila, em Beirute, em 1982.

Clint Eastwood participou da competição principal com “A Troca”, em que Angelina Jolie faz uma mãe dos anos 1920 que busca seu filho desaparecido.

Alguns órgãos de imprensa franceses reclamaram do fato de o veterano de Hollywood não ter recebido um dos prêmios principais.

O jornal Le Figaro disse que o prêmio especial dado ao diretor foi uma “medalha de chocolate” -- um prêmio de consolação que, sugeriu, pode ter explicado a ausência de Eastwood da cerimônia de encerramento.

“Nunca uma cadeira vazia foi tão gritante quanto a dele”, disse o jornal.

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