31 de Outubro de 2007 / às 15:45 / 10 anos atrás

Tablóide quase me levou a suicídio, diz ex-mulher de McCartney

Por Mike Collett-White

<p>Heather Mills, ex-esposa de Paul McCartney, em foto de arquivo. Heather Mills criticou duramente os tabl&oacute;ides brit&acirc;nicos, afirmando que as publica&ccedil;&otilde;es quase fizeram com que ela se suicidasse. Photo by Luke Macgregor</p>

LONDRES (Reuters) - Heather Mills, a ex-mulher do Beatle Paul McCartney, criticou duramente os tablóides britânicos, afirmando que as publicações quase fizeram com que ela se suicidasse.

Mills apareceu em um canal britânico de TV na quarta-feira para divulgar sua campanha para mudar as leis responsáveis por regular os meios de comunicação. As mudanças visariam oferecer às pessoas uma maior proteção contra os paparazzi e alguns jornais, em especial o The Sun.

“Durante 18 meses fui vítima de um abuso sem limites”, disse Mills à GMTV em uma longa entrevista, durante a qual chorou várias vezes. A GMTV afirmou que Mills havia pedido para ser entrevistada.

“Eles me chamaram de prostituta, de caçadora de milionários, de maluca, mentirosa. Das coisas mais inacreditavelmente ofensivas.”

“Eu fiquei quieta por causa da minha filha. Recebemos ameaças de morte. Eu estive perto de me suicidar. Eu ouvi ameaças piores do que as que receberiam um pedófilo ou um assassino. E, durante 20 anos, trabalhei apenas com serviços de caridade”, afirmou Mills, 39.

A ex-mulher de Paul McCartney, que tem uma filha chamada Beatrice McCartney, negou ter recebido uma proposta vultosa para selar um acordo na atual batalha travada com o ex-Beatle em meio a um processo de divórcio.

“Eu não recebi oferta nenhuma, O.K.?”, afirmou quando questionada sobre o caso.

“Essas cifras foram inventadas: 100 milhões (de libras), 50 milhões, 20 milhões. Como vocês sabem se eu quero algum dinheiro? Já tenho uma dívida de 1,5 milhão por causa dos honorários advocatícios.”

Ex-modelo e ex-ativista de causas humanitárias, Mills também criticou as especulações sobre não ter vindo a público porque pretenderia vender a história do casamento dela com McCartney.

“Isso é uma bobagem! Eu poderia vender minha história agora mesmo! Estou tentando proteger Paul e a nossa filha.”

COMPARAÇÃO COM DIANA

Mills comparou sua situação com a de Kate McCann, a mãe da menina Madeleine, cujo desaparecimento em Portugal levantou suspeitas sobre os McCann, e com a da princesa Diana, que morreu em um acidente de carro quando era perseguida por paparazzi.

“É isso o que esta nação está fazendo, comprando esses jornais”, afirmou Mills à GMTV. “Todas as vezes que alguém compra um jornal desses, contribui para isso. Então precisamos de mudanças para promover um jornalismo responsável.”

Ela acrescentou que a “campanha de ódio” realizada por alguns tablóides colocou a vida dela e a da filha em risco.

“Foi por isso que pensei em me matar. Porque, na minha cabeça, se estivesse morta, minha filha estaria segura e poderia ficar com o pai.”

Ela pediu aos telespectadores que acessassem o site www.youcare.com, que defende um boicote ao “The Scum” (a escória) ou ao “The so-called Sun” (ao assim chamado “Sun”, Sol).

“A enxurrada de abusos constituiu uma violação dos direitos humanos e chamou atenção para a necessidade de aumentar, no sistema judicial da Grã-Bretanha, a proteção dos indivíduos quanto a sua privacidade”, afirma o site.

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