7 de Maio de 2008 / às 16:28 / em 10 anos

Filme sobre morte de civis no Iraque mostra 2 lados da história

Por Claudia Parsons

NOVA YORK (Reuters) - O filme “Battle for Haditha” (a batalha por Haditha) retrata um dos episódios mais dramáticos da guerra no Iraque -- o assassinato de 24 civis iraquianos por fuzileiros dos EUA, mas o ex-fuzileiro Elliot Ruiz, um dos membros do elenco, afirma que a produção não mancha o nome da corporação.

“Não vamos perseguir aqueles fuzileiros. Esse filme não culpa aqueles fuzileiros pelo que aconteceu. Não se trata, em verdade, de colocar a culpa em alguém”, afirmou Ruiz à Reuters, em uma entrevista concedida antes do lançamento do filme, na quarta-feira, em Nova York.

“Trata-se de apresentar a situação e de permitir que a platéia decida sobre quem é o responsável.”

O filme baseia-se nos fatos reais ocorridos em novembro de 2005, em Haditha, cidade localizada a oeste de Bagdá.

Um comboio de marines norte-americanos viu-se atingido por uma bomba plantada ao lado de uma estrada. O artefato matou um oficial popular entre os soldados e, pouco depois, 24 civis iraquianos foram assassinados a tiros.

Oito fuzileiros foram indiciados pelo caso, mas cinco deles acabaram se livrando dos indiciamentos. Três, entre os quais o suposto líder da ação, sargento Frank Wuterich, ainda estão sendo julgados por uma corte marcial.

Segundo testemunhas iraquianas, os fuzileiros, enfurecidos, massacraram os civis desarmados após o cabo Miguel “TJ” Terrazas ter sido morto pela bomba. Os advogados de defesa afirmam que os civis morreram durante uma violenta batalha ocorrida dentro e nos arredores de Haditha.

Ruiz disse ter conversado com seus companheiros antes de aceitar o convite para atuar no filme. “Eu não queria participar de nada que prejudicasse a imagem do Corpo de Fuzileiros”, afirmou.

O diretor do filme, o britânico Nick Broomfield, disse haver mudado de opinião sobre os envolvidos após ter ouvido em primeira mão o relato de jovens norte-americanos de origem humilde que se alistaram pouco depois de completado o ensino médio e que nunca receberam apoio ou auxílio psicológico ao vivenciarem experiências traumatizantes de combate.

Os dois insurgentes iraquianos responsáveis por plantar a bomba que detona o incidente também são apresentados de uma forma positiva, algo que pode surpreender as platéias norte-americanas.

“É preciso compreender a origem deles. E o ponto de vista deles ainda não foi apresentado de nenhuma maneira nos meios de comunicação daqui (dos EUA)”, afirmou Broomfield, que disse ter se reunido com insurgentes iraquianos na Jordânia, local das filmagens, a fim de ouvir o lado deles da história.

Na “Batalha por Haditha”, um dos insurgentes é um ex-oficial do Exército iraquiano tomado pelo patriotismo e pela frustração após os EUA terem desmobilizado as Forças Armadas do Iraque. O filme mostra como o ex-oficial é usado por combatentes da Al Qaeda que tentam alimentar o sentimento de repulsa aos norte-americanos.

“Nos EUA, ninguém conhece de verdade o que se passa com os iraquianos”, afirmou Broomfield.

“Alguns documentários já feitos são excelentes, mas acho que as platéias norte-americanas precisam ser personagens iraquianos de verdade em filmes de ficção”, disse.

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