30 de Abril de 2008 / às 01:12 / 10 anos atrás

Orquestra chinesa vai se apresentar para Bento 16

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - A Orquestra Filarmônica da China realizará uma apresentação para o papa Bento 16 na próxima semana, em um gesto sem precedentes que, segundo membros do Vaticano, pode ser um sinal de melhoria nas relações distantes mantidas atualmente pela Igreja Católica e o país asiático.

A Rádio Vaticano afirmou informou terça-feira que a apresentação aconteceria no dia 7 de maio, no salão grande da Santa Sé. A orquestra tocará o “Réquiem” de Mozart junto com o Coro da Ópera de Xangai.

A rádio descreveu o concerto, que será realizado durante a turnê européia da orquestra, como algo “importante.”

E acrescentou: “Com a apresentação no Vaticano de um grande clássico operístico da música européia e de inspiração religiosa, a música confirma seu papel de linguagem e de meio mais precioso para o diálogo entre os povos e culturas.”

Bento 16 fez da melhoria das relações com a China uma das prioridades de seu papado e divulgou, em junho, um carta de 55 páginas afirmando que tentava restabelecer relações diplomáticas plenas com o governo chinês, interrompidas dois anos depois da vitória comunista na guerra civil, em 1949.

“Isso não poderia ter acontecido sem a aprovação do governo”, disse um membro dos serviços diplomáticos.

Na China, a comunidade católica divide-se entre os que pertencem a uma Igreja referendada e controlada pelo Estado e uma Igreja ilegal cujos membros prestam lealdade ao Vaticano.

As relações entre a Igreja Católica e o governo chinês sofreram vários abalos nos últimos tempos. O Vaticano, por exemplo, criticou a China por ordenar bispos sem a aprovação do papa.

Em 2006, Bento 16 acusou o país asiático de praticar “violações graves das liberdades religiosas.”

No entanto, a distância entre os dois diminuiu em setembro passado, quando o Vaticano aprovou a eleição, em Pequim, de um novo bispo católico referendado pelo Estado chinês.

No mês passado, o papa pediu a realização de diálogos para acabar com o “sofrimento” da população do Tibet, mas usou uma linguagem extremamente diplomática ao fazer o apelo.

Em 2007, o Vaticano mudou de postura a respeito de um encontro entre Bento 16 e o Dalai Lama, líder espiritual do Tibet atualmente exilado.

No final de outubro, uma autoridade da Igreja Católica afirmou que o papa se reuniria com o Dalai Lama no dia 13 de dezembro. A China reclamou. Pouco depois, o Vaticano negou que o líder católico tivesse planos de encontrar-se com o líder do budismo tibetano, afirmando que os dois já tinham se reunido no ano anterior.

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