18 de Setembro de 2014 / às 20:29 / em 3 anos

Reese Witherspoon aprende as lições em “The Good Lie”

WASHINGTON (Reuters) - A atriz ganhadora do Oscar Reese Witherspoon escolheu um papel menor em seu último filme “The Good Lie”, um drama sobre crianças sudanesas refugiadas que acabam nos Estados Unidos, mas não há nada de pequeno no que ela espera transmitir.

A atriz Reese Witherspoon em entrevista coletiva para promover o filme "The Good Lie" no Festival de Cinema de Toronto. 08/09/2014.REUTERS/Fred Thornhill

“Há uma mensagem bonita permeando: Nós somos todos iguais”, disse Reese, que interpreta a conselheira de carreiras Carrie Davis no filme que estreou em Washington nesta quarta-feira.

“Todos nós lidamos com conflitos e com aguentar o que parece insuportável em nossas vidas, mas temos que fazer isso juntos”, disse ela sobre a história de crianças que fogem da violência étnica implacável no Sudão. “Nós temos que estar lá juntos. Temos de estar lá uns para os outros.”

O filme, da roteirista de “Boardwalk Empire”, Margaret Nagle, e do diretor canadense Philippe Falardeau, estrelado pelos atores sudaneses Arnold Oceng, Emmanuel Jal, Ger Duany e Kuoth Wiel – cada um dos quais com sua história pessoal sobre o Sudão e sua guerra civil.

Com base em experiências reais de refugiados sudaneses no acampamento que se espalha por Kakuma, no Quênia, o filme começa com a jornada dos irmãos que sobrevivem a um ataque à sua aldeia e andam centenas de milhas até o acampamento das Nações Unidas, ganhando e perdendo companheiros ao longo do caminho.

Lá eles conseguem entrar em um voo humanitário para os Estados Unidos, onde os três homens são reassentados em uma nova terra estranha.

O personagem de Reese é tão perdido quanto os dos refugiados por diferentes motivos.

“TÃO PERDIDO QUANTO”

”Quando encontrei o diretor, ele disse: ‘Eu quero que você entenda que este não é um filme sobre você. Isto é sobre os sudaneses’”, disse Reese, que só aparece no filme depois de passados 30 minutos.

“Nós não tentamos transformá-lo em um veículo para um ator norte-americano. Eu queria que o meu personagem fosse tão perdido quanto, mas de uma maneira diferente.”

Ao invés de “um personagem que tem esta grande esperança branca de que está salvando o povo africano, ela é realmente tão emocionalmente perturbada”, disse Reese. “Ela é sem família.”

Jal, que interpreta Paul, foi de fato um dos Meninos Perdidos recrutados pelo Exército sudanês do Sul, que depois fugiu para o campo de refugiados e infiltrou-se na Grã-Bretanha na vida real.

Agora, um artista de hip-hop e porta-voz da campanha Make Poverty History, ele classificou o filme como “a história de quase todas as pessoas que estiveram em” campos de refugiados.

“Na primeira vez que eu testemunhei a guerra achei que o mundo estava acabando”, disse. “Eu não sabia nada sobre morte, e terminei como uma criança-soldado.”

Duany, que interpreta Jeremiah, foi para os Estados Unidos como refugiado quando tinha 15 anos. Recentemente, ele retornou ao campo de refugiados para visitar sua mãe, que ainda mora lá, e para procurar a irmã.

“Se você olhar para o mundo, não são apenas o Sudão e os países africanos que passam por períodos caóticos”, disse ele. “Voltei para o meu país para encontrar minha família. Nós assinamos acordos de paz, mas eu nunca cheguei a ver a paz”, disse ele sobre a violência que ainda assola o Sudão do Sul.

Reese disse que os atores sudaneses não apenas lhe ensinaram o que é ser um refugiado, mas também lhe mostraram a “gratidão e graça” com que eles lidam com a vida.

“Por ser uma mulher norte-americana crescendo no Sul”, disse ela, “essas coisas eram incompreensíveis para mim -- quando falavam em ser criança e morrer de fome e andar milhares de quilômetros para um lugar que eles nem tinham nem certeza que seria seguro.”

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