6 de Novembro de 2014 / às 20:53 / em 3 anos

ENTREVISTA-Biógrafo de Robert De Niro fala sobre introversão, escolhas e reputação

NOVA YORK (Reuters) - Brilhante, taciturno, engraçado, intimidante – Robert De Niro é tido como um dos maiores atores norte-americanos de todos os tempos, e um dos mais reservados.

Ator Robert De Niro durante evento em Beverly Hills, na Califórnia, Estados Unidos, no ano passado. 04/02/2013 REUTERS/Mario Anzuoni

O escritor e crítico de cinema Shawn Levy passou quatro anos tentando desvendar o vencedor de duas estatuetas do Oscar enquanto trabalhava em sua biografia, intitulada “Robert De Niro: A Life”.

Levy conversou com a Reuters sobre o que descobriu sobre De Niro no arquivo de roteiros e notas de produção do ator de 71 anos, além de seus mais de 80 papéis no cinema.

Pergunta: Você pediu para entrevistar De Niro várias vezes, e não teve resposta. Por que acha que ele reluta tanto em falar de si mesmo?

Resposta: Quando começou a se expor à imprensa, ele se sentiu desconfortável. Ele é basicamente uma pessoa introvertida que demonstra grande expressividade de forma pública. Mas em seus primeiros encontros (com a mídia), seu despreparo ficou claro. Assim que se tornou um astro, o estrelato lhe deu autoridade para manter um muro entre ele e os momentos desconfortáveis. E isso se tornou o que ele é.

P: Uma das perguntas que o livro faz é por que De Niro direcionou sua energia para alguns poucos papéis no começo e agora a derrama “descuidadamente em tantos copos de papel, como se fosse o vinho mais barato, feito com mais indiferença”. Como você resumiria esse enigma?

R: Ele tem uma tremenda ética de trabalho, herdou isso dos pais, e durante muito tempo concentrou esse trabalho em oportunidades escolhidas a dedo. Ele continua a trabalhar, mas em vez de levantar 100 quilos de uma vez ele levanta dez quilos dez vezes. Uma vez que tenha tomado essa decisão, você perde a prerrogativa de dizer “só farei o melhor com os melhores, porque os melhores não trabalham seis ou oito vezes por ano”. Acho que ele sente que, se não estiver trabalhando, está sendo preguiçoso.

P: Será que as escolhas questionáveis, os fracassos, irão manchar sua reputação no longo prazo?

R: Acho que não. Se você listar as 50 maiores atuações do cinema, há cinco ou seis de De Niro que teriam que entrar. E depois há outras 15 ou 20 que todo mundo gosta, sabe citar e quer rever.

P: Tendo escrito o livro, você gosta mais ou menos dele?

R: Eu realmente o admiro. Ele não finge ser o que não é. Não tenta se passar por um intelectual. Ele tem noção do seu alcance como ator – quase nunca fez um filme que se passe antes de 1900. Admiro seu comprometimento com o trabalho e sua lealdade à família. E ainda quero ver bons filmes com Robert De Niro. Nada me daria mais prazer do que vê-lo ganhar um terceiro Oscar.

P: Você tem um filme favorito de De Niro?

R: Estou no meu escritório agora, onde tenho um pôster de “Taxi Driver” que adquiri em 1976 pendurado na parede. Foi muito prazeroso rever todos os filmes, mas tenho que ficar com esse. Foi lançado quando eu tinha 14 ou 15 anos, me deixou maravilhado e abriu meus olhos para o cinema e a atuação de uma maneira que nunca vi.

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