10 de Dezembro de 2014 / às 19:28 / em 3 anos

ESTREIA-"O Hobbit" encerra trilogia com acúmulo de batalhas e efeitos visuais

SÃO PAULO (Reuters) - Assim como a saga “O Senhor dos Aneis”, a trilogia cinematográfica baseada em “O Hobbit” acaba em muita, muita guerra, o que fica muito claro já desde o título escolhido para o capítulo final, “O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos”.

Atores de "Hobbit" Orlando Bloom, Lee Pace, Evangeline Lilly e Richard Armitage posam para foto em Hollywood. 10/12/2014 REUTERS/Mario Anzuoni

De fato, são tantos combates que um espectador mais distraído poderia mesmo se indagar em algum momento – afinal, por que é mesmo que eles estão lutando?

Isso nunca acontecerá, no entanto, aos milhões de fãs apaixonados e atentos das obras de J.R.R. Tolkien, cujas adaptações, dirigidas pelo cineasta Peter Jackson, faturaram mais de 4 bilhões de dólares mundialmente e podem render-lhe uma possível crise existencial e profissional – afinal, o que Jackson, que jogou uma boa parte de sua vida nas duas sagas por tantos anos, desde o primeiro “O Senhor dos Aneis” (2001), vai fazer a partir de agora?

Nesta aventura propriamente dita, o que está em jogo é a conquista da montanha de Erebor. A Companhia de Anões, liderada por Thorin Escudo-de-Carvalho (Richard Armitage) consegue recuperá-la a duras penas. Quem paga um alto preço por ter apoiado os anões são os homens da vizinha Cidade do Lago, que sofrem um incendiário ataque do dragão Smaug – logo devidamente despachado por uma providencial flecha do arqueiro Bard (Luke Evans).

Dragão morto, a destruição da cidade foi total. Bard e os demais habitantes rumam a Erebor, em busca de refúgio e também de um naco do grande tesouro ali guardado – uma promessa de Thorin que ele, contaminado pela “doença do dragão”, ou seja, uma febre pelo ouro acumulado, vai se recusar a cumprir, para desgosto de seus comandados, entre eles o hobbit Bilbo Bolseiro (Martin Freeman).

Bilbo, como sempre, é o especialista em achar objetos importantes. Antes, foi o anel da invisibilidade, agora, a preciosa pedra Arken, cujo sumiço está tirando o sono do obcecado Thorin.

Ninguém ali vai ter muito tempo para pensar, porque estão chegando à beira da montanha não só os homens de Bard e os elfos de Thranduil (Lee Pace), em busca da sua parte do tesouro, como também outros anões, o povo de Dain (Billy Connolly), primo de Thorin que veio em seu socorro; e orcs de todos os tipos e tamanhos, enviados pelo maligno Sauron.

Diante do ataque dos orcs, os demais exércitos se unem contra eles numa aliança estratégica. Mas o reino animal também se revolta, a favor de um lado e de outro, como os morcegos, pelos orcs, águias gigantes, pelos demais.

Com uma guerra dessas proporções e tantas espécies envolvidas, o time dos efeitos especiais e visuais tem trabalho de sobra, ainda mais numa filmagem em 3D. O filme circula em versões 3D e IMAX, mas também nas convencionais 2D.

Esticando bastante um livro só, com cerca de 300 páginas, a trilogia encerrada por “O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos” se permitiu uma ou outra licença poética fora da escrita, caso do romance entre a elfa Tauriel (Evangeline Lily) e um dos anões, Kili (Aidan Turner) – a quem Legolas (Orlando Bloom) nem pensa deixar o campo livre, para desgosto de seu pai, Thranduil.

Para quem se cansa de tanta guerra, também cairia bem haver uma participação maior dos magos, especialmente Gandalf (Ian McKellen) – que participa de uma das melhores sequências do filme, em que é libertado do castelo de Sauron pela união dos poderes de uma trinca de personagens queridos das duas sagas, Galadriel (Cate Blanchett), Elrond (Hugo Weaving) e o mago Saruman (Christopher Lee, arrasando do alto dos seus 92 anos).

No setor dos duelos, o mais emocionante é mesmo o que opõe Thorin e o orc Azog sobre um lago congelado.

Em que pese, no entanto, esse esperado brilho visual, sempre sobra uma certa frustração que os vilões da história sejam todos tão unilaterais – e criações digitais -, prejudicando um maior volume e densidade dramáticos.

Enfim, este é programa para os fãs da saga, que são muitíssimos, e não vão reclamar disso. E ainda vão ficar torcendo para Peter Jackson conseguir um dia filmar “O Silmarillion”, outra obra de Tolkien cujos direitos seus herdeiros vêm recusando vender para o cinema.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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