1 de Maio de 2015 / às 18:04 / em 3 anos

Véspera de eleição atrai público para peças teatrais politizadas em Londres

LONDRES (Reuters) - Quando o entrevistador de celebridades Jeremy Paxman é visto na plateia de uma peça de teatro na qual a atriz Judi Dench só faz uma ponta, é sinal de que algo incomum está acontecendo nos palcos de Londres: a política se tornou a estrela do espetáculo.

Peças com temas políticos como “The Vote”, “Dead Sheep” e uma reencenação de “The Audience”, que mostra a rainha Elizabeth no trato com ex-primeiros-ministros, estão atraindo grandes plateias às vésperas da eleição nacional britânica mais incerta em décadas.

Menos de uma semana antes da votação de 7 de maio, as pesquisas de opinião revelam que os Conservadores do premiê David Cameron e os opositores Trabalhistas estão empatados, com um aumento súbito no apoio ao nacionalismo escocês para complicar o quadro.

“The Vote”, comédia de bastidores passada em uma sessão eleitoral com um elenco de mais de 40 pessoas --incluindo Judi, que surge nos 15 minutos finais-- é um dos ingressos mais procurados da cidade.

A peça alcançará uma plateia ainda maior quando for transmitida em rede nacional de televisão na noite da eleição, e seu final alucinado deve coincidir com o fechamento das urnas.

“Acho que muitas pessoas pensam que o teatro, especialmente o teatro político, não é para elas, parece muito altivo e sério e austero”, disse o dramaturgo James Graham à Reuters em uma entrevista.

Outras peças dissecam o processo político e as entranhas do governo.

“Dead Sheep” exibe a queda de Margaret Thatcher na esteira de um famoso discurso de seu supostamente subserviente vice-primeiro-ministro, Geoffrey Howe, na Câmara dos Comuns, cuja contundência foi descrita por um adversário como “semelhante a ser atacado por um carneiro morto”.

Na produção do apresentador de TV e dramaturgo estreante Jonathan Maitland, Thatcher é interpretada por um ator, Steve Nallon. Foi dito da ex-premiê que ela era “o melhor homem do gabinete”, mas Maitland garante que não foi isso que o motivou a escalar Nallon para o papel.

Seu nível de conhecimento da personagem permite a Nallon, e à peça de Maitland, oferecer o que ele disse ser uma dimensão adicional da experiência política: mostrar o que acontece nos bastidores.

“Acho que o palco consegue mostrar uma verdade instigante, poderosa e divertida que amplifica o que se vê nos jornais e se ouve no rádio”, opinou Maitland.

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