23 de Dezembro de 2015 / às 17:53 / em 2 anos

ESTREIA-"Até que a Sorte nos Separe 3" fecha franquia estrelada por Leandro Hassum

SÃO PAULO (Reuters) - Albert Einstein escreveu, certa vez, que é “no meio da dificuldade que se encontra a oportunidade”, uma ideia reciclada em vários livros de autoajuda, especialmente naqueles voltados a temas financeiros e empreendedorismo.

Leandro Hassum em foto de divulgação de "Até que a Sorte nos Separe 3". REUTERS/GloboFilmes/Divulgação

Justo de um livro do gênero, “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos”, de Gustavo Cerbasi, vem a livre inspiração para a franquia “Até que a Sorte nos Separe”, que, após arrebanhar um público de mais de 3 milhões em cada longa, chega agora ao seu terceiro e último – segundo os próprios produtores – capítulo, coincidentemente, em um período de crise para o país.

Isso torna o filme oportuno, mas não necessariamente criativo. Enquanto captura este momento conturbado, além de centrar-se nos perigos da especulação para a economia, a comédia, provavelmente, servirá de válvula de escape para a insatisfação popular com a classe política e o empresariado brasileiro.

Contudo, se a obra é fruto e reflexo do espírito de sua época, o tal “zeitgeist” difundido pelos alemães, não é apenas em termos econômicos, políticos e sociais, e sim também em relação à atual produção cinematográfica nacional, no que se refere a projetos de cunho majoritariamente comercial.

A constante recorrência à fórmula e visuais televisivos observada no gênero está aqui, assim como a repetição da mesma estrutura dos outros filmes da “trilogia”: o dinheiro surgindo de meios fáceis e, igualmente, se esvaindo rapidamente por ineficiência e gastos descontrolados, em geral, de Faustino (Leandro Hassum). Mas se na sequência anterior a cópia era mais visível, há uma diferenciação aqui no contexto e nos agentes da falência final descrita no slogan.

De volta aos dias de pobreza, a vida do protagonista e de sua família é novamente alterada quando ele é atropelado por Tom (Bruno Gissoni), filho do homem mais rico do país, e o herdeiro, por sua vez, começa a namorar sua filha, Teté (Júlia Dalávia). Convidado a trabalhar na corretora do bilionário pai de seu genro, Rique Barelli (Leonardo Franco), o atrapalhado Tino acaba decretando a derrocada da empresa, a quebra da bolsa e o estopim da crise econômica brasileira.

Contudo, a equipe de criação não se furta a resgatar elementos do primeiro filme, como a cena no aeroporto, a volta do designer Adelson (Ailton Graça) e o estranho boneco do carro de Amauri (Kiko Mascarenhas), concluindo de maneira deslocada a piada não realizada antes.

Roberto Santucci continua dirigindo a franquia, agora ao lado de Marcelo Antunez, com quem também comandou “Qualquer Gato Vira-Lata 2”, tendo seu parceiro Paulo Cursino como roteirista – com a colaboração de Léo Luz – mais uma vez neste longa, que começou a ser filmado em meados de setembro e depois de três meses já chega às salas de cinema.

Os sinais da correria da produção, por sinal, são perceptíveis nos caminhos de riso fácil ou duvidoso do roteiro, nas escolhas e na decupagem da direção, novamente sem expressar sua própria assinatura, e na finalização de aspectos técnicos.

Isso fica evidente na “chegada” de Tino e Amauri a Brasília, em um “chroma key” digno de iniciantes em computação gráfica. O que se segue depois é uma cena que pode ser considerada tanto a mais engraçada quanto a mais ultrajante do filme, dependendo da orientação política do espectador, mas que, friamente, é um esquete jogado de forma não-orgânica na trama, com piadas questionáveis e que se salva pela imitação, especialmente vocal, da presidente Dilma, realizada por Mila Ribeiro.

A fala de Daniel Filho, em participação especial, é o momento de maior lucidez da obra sobre os agentes da atual situação do Brasil, mas é uma pena que isso não tenha sido traduzido durante o longa de um modo mais criativo.

Com a narrativa calcada em Tino, interpretado por um Hassum cada vez mais exagerado no tipo cômico que criou, os outros personagens carecem de maior desenvolvimento, faltando espaço a nomes como Camila Morgado, na pele da esposa Jane.

Em contrapartida, Júlia Dalávia ganha o destaque que ela pouco teve na série, segurando a importância que Teté adquire na trama.

Assim, é no humor referencial que o filme garante suas risadas mais democráticas: da clara inspiração em Eike Batista e sua família à presença de Luciano Huck e seu programa na história, da citação a Tinker Bell à autoparódia de Ailton Graça ao seu papel anterior em novelas, a identificação poderá valer o ingresso para grande parte do público.

(Por Nayara Reynaud, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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