March 22, 2017 / 6:38 PM / 2 years ago

ESTREIA–Suspense “Fragmentado” tem protagonista com 23 personalidades

SÃO PAULO (Reuters) - O ator escocês James McAvoy deixa de lado as aventuras futuristas de “X-Men” para entrar na pele de muitos personagens num só, ou seja, as 23 personalidades de Kevin Wendell Crumb, o perturbado protagonista de “Fragmentado”, novo suspense de M. Night Shyamalan.

James McAvoy posa em San Diego 11/7/2015 REUTERS/Mario Anzuoni

Partindo de uma extensa pesquisa com psiquiatras, Shyamalan (“A Visita”) escreveu um roteiro em torno do Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI), mal que atinge Kevin. A rigor, Kevin é a personalidade que não vemos, pois quem está em evidência é geralmente uma entre uma meia dúzia delas que o filme dará oportunidade que conheçamos um pouco mais.

Na primeira sequência, é o ultracontrolador Dennis quem está no comando, atacando um pai (Neal Huff) que iria conduzir num carro para casa a própria filha, Claire (Haley Lu Richardson) e as amigas Marcia (Jessica Sula) e Casey (Anya Taylor-Joy, de “A Bruxa”). Usando um spray paralisante, ele sequestra as meninas, trancando-as num porão que será um dos cenários claustrofóbicos do filme.

Paralelamente, conta-se a história de uma garota de 5 anos (Izzie Coffey), que acompanha o pai (Sebastian Arceles) e um tio (Brad William Henke) em caçadas. Aos poucos, essa trama fará sentido e conectará com o eixo principal.

Como em seus filmes anteriores, Shyamalan é um mestre na criação de climas tensos a partir de detalhes e referências cinematográficas: ausência de janelas, fechaduras, chaves, troca de roupas. É assim que ele joga o jogo para fisgar seu espectador para sentir medo, empatia, piedade pelo que se desenrola na tela.

Um trunfo especial é um ator do quilate de James McAvoy para dar credibilidade a cada uma de suas múltiplas versões: o menino Hedwig, a fanática Patricia, o fissurado em moda Barry, o obcecado por controle, ordem e limpeza Dennis. Em geral, é como Barry que ele deixa seu esconderijo e visita sua psiquiatra, Karen Fletcher (Betty Buckley), que está notando sinais de uma grande inquietação em seu paciente, mas não consegue levá-lo a se abrir. Ele também joga um jogo com ela e ela não tem muitas opções a não ser deixar que ele manifeste seus sinais para tentar interpretá-los.

No cativeiro, as meninas convivem com as múltiplas personalidades de seu captor, tentando ganhar tempo e encontrar uma saída. Quem parece mais preparada para lidar com a anormalidade da situação é Casey, que oculta uma situação familiar anormal.

Shyamalan alterna gêneros, como o drama psicológico e momentos de puro terror – até com um toque sobrenatural, que é a sua marca – para criar um filme de entretenimento, que vem tendo boas bilheterias. As referências cinematográficas passam por uma sua habitual ponta, como fazia o bom e velho Alfred Hitchcock em seus filmes, e também pela ambição de criar um vilão louco memorável, em alguns momentos semelhante a Hannibal Lecter, de “O Silêncio dos Inocentes”.

Fora isso, o final – que não será mencionado aqui – remete a um de seus filmes de maior sucesso no passado. Quem o viu, não terá como não lembrar.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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