March 22, 2017 / 7:38 PM / a year ago

ESTREIA-“Imprevistos de Uma Noite em Paris” é comédia sutil e melancólica

SÃO PAULO (Reuters) - Luigi (Édouard Baer), personagem central de “Imprevistos de uma noite em Paris”, é diretor de um teatro e está prestes a estrear uma peça que não está pronta. Na verdade, está bem longe de poder ser mostrada para o público, e os problemas despencam em sua cabeça. Assim como Chris (Christophe Meynet), um ator vestido de macaco que fica no palco numa gaiola suspensa.

Ator Édouard Baer chega a evento em Paris 17/9/2010 REUTERS/Charles Platiau

Quando o intérprete cai e se machuca, fica impedido de continuar no ensaio —o que obriga o protagonista do filme a, finalmente, arrumar um símio de verdade, conforme havia prometido ao diretor da montagem.

Mas com que dinheiro, se as contas estão todas atrasadas? E como lidar com o diretor japonês (Yoshi Oida), que nem queria estar na França, não fala francês e só se comunica por meio de sua assistente brava (Kaori Ito)? E o que fazer com os atores e técnicos que estão sem receber? Ele não pode delegar tudo à sua assistente, Nawel (Audrey Tautou).

Com a ajuda de uma estagiária, Faeza (Sabrina Ouazani) —estudante de Ciência Política, que arrumou um emprego no bar do teatro—, Luigi sai numa jornada pelas ruas de Paris em busca de resolver os problemas —entre eles, conseguir um macaco de verdade para atuar na peça.

A partir disso, “Imprevistos de uma noite em Paris” transforma-se numa comédia de erros e acertos, de busca noite adentro para resolução dos problemas, que acabam criando novos problemas para Luigi e sua estagiária. O ensaio parado, por sua vez, espera a volta do diretor do teatro com soluções e um macaco para a peça prosseguir.

Quando ele encontra o animal, sai pelas ruas de Paris, com o macaco de mãos dadas com ele e sua estagiária. É uma cena nonsense, que vai ao encontro de todo o tom de humor do filme, escrito e dirigido pelo próprio Baer —com a autoria do roteiro dividida com Benoît Graffin (“Uma doce mentira”).

Aos poucos, o filme se abre, torna-se sobre a trupe artística e seus dilemas profissionais, financeiros e pessoais. Aqui, Baer (uma figura bastante conhecida no cinema e televisão na França, mas pouco famosa fora de seu país) alinha-se a obras do gênero, como “A Morte do Bookmaker Chinês”, de John Cassavetes, e “Turnê”, de Mathieu Amalric.

Apesar de guardar para si o personagem central e as melhores tiradas do filme, Baer distribui aos colegas coadjuvantes bons momentos para que brilhem em cena —especialmente Audrey e Sabrina, como as personagens femininas de maior destaque aqui.

O ambiente lúdico e o tom da comédia, no entanto, não evitam que o filme e o personagem central tomem seu rumo melancólico e mais realista.

Por Alysson Oliveira, do Cineweb

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below