June 21, 2017 / 6:58 PM / in a year

ESTREIA–Com Tom Hanks, “O Círculo” é suspense sobre tempos hiperconectados

SÃO PAULO (Reuters) - O suspense/ficção científica “O Círculo” é um filme para os tempos atuais: hiperconectado, hiperativo e abordando uma companhia de internet que ameaça espalhar seus tentáculos de modo a tomar conta de todos os aspectos da vida das pessoas.

Ator Tom Hanks na pré-estreia de "O Círculo" em Nova York. 26/04/2017 REUTERS/Carlo Allegri

Partindo de um livro do também roteirista Dave Eggers, que assina este roteiro ao lado do cineasta James Ponsoldt, “O Círculo” começa promissor, dando a impressão de que vai colocar devidamente em discussão alguns dos aspectos mais assustadores da nossa vida já ultraconectada.

Ou seja, a superexposição, a ultravigilância, o fim da intimidade, as inúmeras possibilidades de os dados referentes às pessoas de todo o mundo caírem nas mãos de uma única empresa que se dedique a manipulá-los em proveito do próprio lucro.

A paranoia tem um rosto paternal e atende pelo nome de Eamon Bailey (Tom Hanks), um dos fundadores da companhia de internet O Círculo, ao lado de Tom Stenton (Patton Oswalt).

É justamente o jeito bonachão de Bailey que o torna tão irresistível, transformando suas palestras motivacionais na empresa que dirige em verdadeiros shows, estimulando os jovens funcionários a aderirem a uma rotina que, na verdade, não lhes permite qualquer discordância ou mesmo individualidade.

O “Grande Irmão” citado pelo escritor George Orwell em seu profético livro “1984” mora aqui, nesta empresa, em que os funcionários são levados a transformar sua presença nas mídias sociais em parte indissociável de seu trabalho.

Além disso, são sutilmente pressionados a passarem boa parte de seu tempo livre nas dependências da firma, em festas de confraternização no ambiente, que parece um campus universitário, coberto de gramados e lagos artificiais e em que a visão de drones é uma constante.

Cai neste universo uma novata, a jovem Mae Holland (Emma Watson), trazida pela amiga, Annie (Karen Gillan). Do dia para a noite, Mae troca uma vida opaca e de tédio num trabalho burocrático pela de alguém que sente que ganhou lugar num paraíso de oportunidades.

Ela acaba cooptada pelo chefão Bailey para tornar-se garota-propaganda de sua mais recente invenção: a câmera Seechange, que é de tamanho diminuto, pode ser colocada em todos os locais e permite o que Bailey chama de “transparência total”.

“Saber é bom mas saber tudo é melhor”, defende o chefe, que convence Mae a usar uma câmera dessas em tempo integral.

Justamente no segmento em que se manifesta o grande conflito de que a história teria que tratar com contornos mais dramáticos é que o filme falha fragorosamente. Mal-desenvolvida, a personagem de Emma Watson nunca convence em suas atitudes oscilantes, especialmente em relação aos pais (Glenne Headley e Bill Paxton) e ao antigo namorado e amigo, Mercer (Ellar Coltrane).

Igualmente abaixo de seu potencial é o personagem Ty (John Boyega), o programador que criou a ideia inicial da empresa cibernética e cujo aparecimento deveria deflagrar bem maiores tensões.

Sintetizando, “O Círculo” é o filme sobre o tema certo, o mais urgente para os dias atuais, mas passa longe de aprofundar os seus principais aspectos.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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