August 4, 2017 / 4:48 PM / a year ago

Ruínas de cidade do Iraque preservam lembranças de Agatha Christie

NIMRUD, Iraque (Reuters) - Agatha Christie já morou aqui, mas só restam lembranças dos tempos que a famosa escritora britânica de livros policiais passou entre as ruínas da antiga cidade iraquiana de Nimrud.

Morador de cidade iraquiana de Nimrud aponta local onde ficava residência que já foi ocupada pela escritora britânica Agatha Christie 04/08/2017 REUTERS/Khalid Al-Mousily

A casa de barro e tijolo que a autora de “Assassinato no Expresso do Oriente” ocupou desapareceu há tempos. Se ela estivesse viva, provavelmente ficaria chocada com o que foi feito da cidade assíria onde trabalhou ao lado de seu marido arqueólogo cinco décadas atrás.

    O Estado Islâmico atacou Nimrud com escavadeiras, marretas e dinamite três anos atrás, parte de sua ofensiva generalizada contra a herança cultural do Iraque.

    As forças militares do país retomaram o local no início de sua campanha para expulsar os jihadistas de Mosul, que fica cerca de 30 quilômetros ao norte.

    A casa onde Christie viveu foi derrubada alguns anos antes disso, e as pessoas que a conheciam já morreram. Mas seu nome ainda é reconhecido por alguns locais, embora a maioria não saiba por que ela é famosa.

    “Só sabemos que ela era britânica”, disse Abu Ammar, que mora no vilarejo mais próximo das ruínas.

    Célebre por seus detetives Miss Marple e Hercule Poirot, Christie está no Livro Guinness de Recordes Mundiais como a escritora de ficção mais vendida de todos os tempos. Seus 78 romances policiais venderam 2 bilhões de cópias em 44 línguas.

Christie visitou o Iraque pela primeira vez antes de o país conquistar a independência do Reino Unido, em 1932, e conheceu o homem com quem se casaria em uma escavação arqueológica no sul do país.

    O casal passou algum tempo em Mosul e mais tarde se mudou para Nimrud.

    “Que belo lugar era”, escreveu. “O (rio) Tigre ficava só a uma milha de distância, e no grande morro da Acrópole grandes cabeças assírias emergiam do solo. Era um trecho de terreno espetacular – pacífico, romântico e impregnado do passado”.

    Essa descrição contrasta com o presente.

    O morro no qual as ruínas estão situadas está rodeado de arame farpado para afastar os saqueadores, e até recentemente corpos de vítimas das batalhas flutuavam correnteza acima pelo Tigre. Estátuas colossais de touros alados – ou lamassus – que montavam guarda na entrada de um palácio jazem desmembradas em uma pilha.

    Grande parte disso foi descoberto nos anos 1950 pelo marido da autora, Max Mallowan. O interesse da própria Christie por arqueologia é evidente nos livros “A Morte no Nilo” e “Morte na Mesopotâmia”, e ela começou a escrever sua autobiografia em Nimrud.

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