November 22, 2017 / 4:55 PM / 9 months ago

ESTREIAS-Suspense "Boneco de Neve" e “Pai em Dose Dupla 2” chegam aos cinemas

SÃO PAULO (Reuters) - Veja um resumo dos principais filmes que estreiam nos cinemas do país nesta quinta-feira:

Ator Michael Fassbender posa em Londres 4/5/2017 REUTERS/Neil Hall

“BONECO DE NEVE”

- Baseado num dos romances de sucesso em torno do detetive Harry Hole, de autoria do norueguês Joe Nesbo, “Boneco de Neve” é um suspense policial impregnado de altas expectativas – ainda mais por ter sido produzido pelo norte-americano Martin Scorsese e dirigido pelo sueco Tomas Alfredson, que traz no currículo os ótimos filmes “Deixa Ela Entrar” (2008) e “O Espião que Sabia Demais” (2011), além de um elenco estelar, encabeçado por Michael Fassbender e Charlotte Gainsbourg.

Na história da caçada a um serial killer, que mata mulheres seguindo uma série de rituais, amontoam-se detalhes, situações e personagens. Mas esse acúmulo parece ter trabalhado em desfavor do suspense, que não acontece na medida justa. Harry Hole (Fassbender), um detetive experiente e marcado pela depressão, insônia e alcoolismo, mergulha na trilha de sangue deixada pelo assassino, que elege mulheres com alguma história envolvendo abortos ou filhos. E que deixa sua assinatura num boneco de neve com dois galhos, como finos braços, apontados para a casa de suas vítimas.

Com uma história pessoal problemática, da qual constam uma ex-mulher (Charlotte Gainsbourg) e seu filho (Michael Yates), Hole ganha uma assistente, Katrine (Rebecca Ferguson), nas investigações. Logo se verá que ela tem uma agenda própria, o que embaralha os sinais da história, cujo ritmo, finalmente, é comprometido por um gelo glacial, assim como seus cenários.

“PAI EM DOSE DUPLA 2”

- Dois anos depois da boa bilheteria obtida pela comédia “Pai em Dose Dupla”, o diretor Sean Anders revisita Brad (Will Ferrell,), o padrasto que, no primeiro filme, se esforça para mostrar que cuida bem dos dois enteados, numa disputa com Dusty (Mark Wahlberg), o pai biológico das crianças. Em “Pai em Dose Dupla 2”, o cabo de guerra que parecia superado é retomado com a aparição de Kurt (Mel Gibson), pai de Dusty, que se autoconvida para participar da festa de Natal do filho e netos.

Agora as atenções se voltam para Mel Gibson, que se diverte interpretando um personagem que defende posições agressivas e polêmicas como as que ele está acostumado a assumir na vida real. Só que, na ficção, o exagero torna o personagem até divertido. Kurt faz o contraponto ao comportamento politicamente correto de Dusty e Brad, reforçado pelo pai de Brad, Don (John Lithgow), que também aparece para participar da festa natalina.

As duas famílias alugam uma casa confortável, mas nem de longe a convivência será pacífica, principalmente por causa de Kurt, que não é muito sutil em sua tentativa de cativar as crianças, criando muita confusão. Como todo filme natalino, “Pai em Dose Dupla 2” investe na superação de rancores do passado. Só que, com Kurt por perto, a tarefa será mais difícil.

“LYGIA, UMA ESCRITORA BRASILEIRA”

- O documentário de Helio Goldsztejn resgata alguns dos momentos-chaves da trajetória exemplar da escritora paulista Lygia Fagundes Telles, 94 anos, que, para a crítica Walnice Galvão, é “filhote de Machado de Assis”, por sua concisão e ausência de excessos estilísticos, e pelo conjunto de sua obra, “merecia o Nobel”.

Para quem tem o privilégio de ler em português uma obra que começou a ser publicada há mais de 70 anos, povoada por romances como “Ciranda de Pedra” e “As Meninas” e volumes de contos, como “Seminário dos Ratos”, tais afirmações não soam descabidas.

A garota paulistana que descobriu sua vocação ainda menina, colaborando no jornalzinho da escola, desabrochou numa escritora que une solidez e coragem autorais, desbravando, além do mais, um lugar para as mulheres na literatura.

Nascida em 1923, Lygia é do tempo em que se podia ouvir ditos machistas deste nível: “Para que essa coisa de escrever, você, que tem essas bonitas pernas”. Ou ouvir elogios dúbios do tipo: “Você escreve como um homem”. Por isso, não é de estranhar que ela considere a “revolução da mulher a mais importante do século 20”. Ela viveu isso, ao lado de Hilda Hilst e de Clarice Lispector, compondo uma espécie de santíssima trindade feminina entre os grandes autores nacionais.

“BARREIRAS”

- Se não bastasse uma boa história, “Barreiras”, o novo trabalho de Laura Schroeder, é uma boa oportunidade para acompanhar a atuação, lado a lado, de Isabelle Huppert e sua filha, Lolita Chammah, no papel de mãe e filha, que já haviam interpretado em 2010, em “Copacabana”, de Marc Fitoussi.

Ao contrário do tom leve de comédia de “Copacabana”, ambas agora dividem o espaço – e até procuram o predomínio – em uma obra densa, na qual o próprio título sugere os obstáculos que precisarão romper quando Catherine (Lolita) reaparece na casa de Elisabeth (Isabelle) para reencontrar a filha, a adolescente Alba (Themis Pauwels), criada pela avó.

Não se sabe ainda o que levou Catherine a se afastar da filha e a causa do difícil relacionamento com a mãe. Mas, aos poucos, Catherine buscará conquistar a confiança das duas, levando Alba para uma viagem à casa de campo da família, onde a barragem que aprisiona sentimentos do passado poderá ser rompida.

“NÃO DEVORE MEU CORAÇÃO”

- Coprodução entre Brasil, França e Holanda, o filme de Felipe Bragança entrelaça o romance juvenil, o comentário histórico e referências a filmes de gênero, entre o fantástico e a aventura policial.

O roteiro, também de Bragança, inspira-se livremente em contos de Joca Reiners Terron. É, até literalmente, um cinema de fronteira, ambientado numa cidadezinha na beira do Paraguai e do Brasil, onde indígenas guaranis enfrentam brasileiros, ainda impregnados dos ressentimentos da Guerra do Paraguai, em que o Brasil, vitorioso, promoveu um massacre no século 19.

No meio disso, nasce um romance entre o menino Joca (Eduardo Macedo) e a índia Basano (Adeli Benitez), que nada tem de adocicado, até porque a garota resiste ao envolvimento com o garoto, irmão de Fernando (Cauã Reymond), violento agroboy local. O grande problema é a frágil articulação de todas essas camadas da história, que se sobrepõem de modo um tanto brusco.

(Por Neusa Barbosa e Luiz Vita, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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