March 12, 2018 / 3:29 PM / 7 months ago

OBITUÁRIO-Givenchy, gigante da moda francesa e estilista das estrelas, morre aos 91 anos

PARIS (Reuters) - O estilista francês Hubert de Givenchy, aristocrata que fundou a grife Givenchy nos anos 1950 e se tornou famoso por vestir estrelas como Jacqueline Kennedy Onassis e Grace Kelly, morreu aos 91 anos, informou a marca nesta segunda-feira.

Presença imponente na moda desde que apresentou sua primeira coleção em Paris aos 24 anos, Givenchy se tornou sinônimo de elegância e glamour despretensioso. É dele o vestido preto que Audrey Hepburn usou em “Bonequinha de Luxo”.

Sua família —seu pai foi o marquês de Givenchy-– esperava que ele se tornasse advogado, mas o jovem de 1,96 metro foi atraído pela moda e pelo desenho muito jovem, mudando-se para Paris para estudar aos 17 anos.

Suas criações características, como as blusas de manga bufante e as calças de barra na altura do tornozelo com bordas franjadas, foram saudadas à época como alternativas descontraídas às cinturas justas e às curvas artificiais do então dominante “New Look”, de Christian Dior.

Sua primeira coleção, exibida em 1952, se consagrou no dia em que foi revelada: Givenchy recebeu o equivalente a 7 milhões de francos de encomendas, o suficiente para lhe permitir pagar seus financiadores e assumir a propriedade do negócio.

Seu interesse em tecidos se originou de uma familiaridade precoce com peças finas na casa de seu avô materno, um administrador da tapeçaria Beauvais e Gobelin e colecionador de tecidos de qualidade.

O pai do estilista morreu quando Hubert, nascido em Beauvais, ao norte de Paris, tinha dois anos de idade. Ele e seus irmãos foram criados pela mãe e os avôs maternos.

Inicialmente o jovem Givenchy estudou Direito, mas se contagiou pelo clima de liberação pós-Segunda Guerra Mundial e entrou na Escola de Belas Artes da capital francesa.

Fascinado pelo espanhol Cristóbal Balenciaga, à época o decano dos estilistas parisienses, Givenchy se apresentou com seu livro de desenhos à porta de Balenciaga, onde foi dispensando com um brusco “o senhor Balenciaga não recebe ninguém”.

Givenchy foi aprendiz de outros designers —Jacques Fath, Robert Piguet e a exuberante e iconoclasta Elsa Schiaparelli— antes de se aventurar como criador.

Após sua estreia fenomenal, Givenchy foi a Nova York capitalizar sua popularidade com os norte-americanos. Foi lá que ele finalmente conheceu o recluso Balenciaga, e os dois mantiveram uma amizade estreita até a morte do espanhol em 1972.

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