March 28, 2018 / 7:18 PM / 6 months ago

ESTREIAS–Spielberg dirige aventura de ficção científica em “Jogador Nº 1”

SÃO PAULO (Reuters) - Veja um resumo dos principais filmes que estreiam no país na quinta-feira:

Diretor Steven Spielberg acena em lançamento de “Jogador Nº 1” em Los Angeles 26/3/2018 REUTERS/Mario Anzuoni

“JOGADOR Nº 1”

- Nos últimos anos, Steven Spielberg alterna sua filmografia entre dramas oscarizáveis e diversões infanto-juvenis. Seguindo essa lógica, depois de “The Post”, vem “Jogador Nº 1”, uma aventura de ficção científica temperada por uma nostalgia dos anos de 1980.

Baseado em romance de Ernest Cline, o longa se passa numa Terra tomada por um apocalipse, onde as pessoas se refugiam numa realidade virtual chamada Oasis, que se torna objeto de disputa com a morte de seu criador, Halliday (Mark Rylance). Ele deixou para trás um jogo, cujo vencedor será apontado como o novo dono de Oasis. Tye Sheridan interpreta o protagonista, que se destaca na disputa pelo domínio desse mundo.

A cultura pop dos anos de 1980 é um verdadeiro fetiche de Halliday e de Spielberg também, impregnando de um impulso nostálgico o filme, que se perde com a preocupação de jogar na tela tantas referências, que nunca justificam as mais de duas horas de duração.

“UMA DOBRA NO TEMPO”

- Primeira diretora afro-americana a comandar um orçamento de US$ 100 milhões, Ava DuVernay injeta sangue novo na adaptação de um clássico infanto-juvenil muito conhecido nos EUA, “Uma Dobra no Tempo”, lançado em 1962 pela escritora Madeleine L’Engle.

Uma das novidades trazidas pela diretora é um elenco multirracial, a partir da família central, os Murry, com os pais interpretados por Chris Pine e Gugu Mbatha-Raw, sendo seus filhos Meg (Storm Reid) e Charles Wallace (Deric McCabe). Os pais, cientistas, trabalham numa pesquisa sobre a possibilidade de viajar no espaço/tempo quando o marido simplesmente desaparece. Quatro anos depois, a família continua traumatizada, especialmente Meg.

Retraída, ela passa a ser vítima de bullying. Mas também se torna objeto da adoração do garoto Calvin (Levi Miller). A apatia da garota, porém, só é rompida quando a família recebe a visita de um trio de fadas, a sra. Quequeé (Reese Witherspoon), a sra. Quem (Mindy Kaling) e a sra. Qual (Oprah Winfrey). Serão elas as guias de Meg, Calvin e Charles numa viagem fantástica a outra dimensão, onde pode estar o cientista desaparecido.

“ZAMA”

- Em sua primeira adaptação de um romance, a argentina Lucrecia Martel sente sobre si o peso da tradição literária do seu conterrâneo Antonio Di Benedetto. Em “Zama”, ela assina um filme de época um tanto reverencial que tenta, sem muito sucesso, imbuir com sua personalidade cinematográfica, que rendeu obras como “A Menina Santa” e “O Pântano”.

O personagem-título é interpretado por Daniel Giménez Cacho. Trata-se de um oficial da coroa espanhola na América Latina colonial, à espera de uma transferência que nunca chega, levando-o a uma loucura progressiva. O filme acompanha essa expectativa e sua descida a um inferno, povoado por carências materiais e a convivência com tipos violentos e ambíguos – como um soldado interpretado pelo ator brasileiro Matheus Nachtergaele.

O que há de melhor aqui é como Lucrecia Martel leva sua adaptação para a insanidade junto com o protagonista. O problema é que isso acontece já tarde na narrativa, que até então foi um tanto dispersiva. Quando a diretora parece finalmente se apropriar do material, o longa está prestes a terminar.

“MADAME”

- Uma das musas mais interessantes do diretor espanhol Pedro Almodóvar, Rossy de Palma (“Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”) protagoniza esta comédia globalizada, escrita e dirigida pela francesa Amanda Sthers. A atriz espanhola interpreta Maria, a governanta de um casal americano rico (Toni Collette e Harvey Keitel) que passa uma temporada em Paris.

Para não ter um número ímpar de pessoas num jantar, a patroa obriga Maria a vestir-se elegantemente e passar-se por uma convidada. Um negociador de artes inglês (Michael Smiley) a toma por uma nobre espanhola, começa a assediá-la e os dois engatam um romance.

Com essa comédia de erros, Sthers poderia ter encontrado um pretexto para investigar as relações de classe na Europa contemporânea. Mas a diretora se contenta em criar uma trama leve com personagens sem profundidade. De qualquer forma, como é de se esperar, Rossy rouba o filme.

“DEIXE A LUZ DO SOL ENTRAR”

- A primeira surpresa aqui é a diretora, Claire Denis, uma veterana autora de filmes sérios (“Minha terra, África”), aventurando-se em sua primeira comédia. É com um espírito explorador de sentimentos instáveis que ela escreve, ao lado de Christine Angot, um roteiro que dá oportunidade a Juliette Binoche de percorrer várias situações de uma procura amorosa na meia-idade.

Artista plástica divorciada, mãe de uma garota de 10 anos, Isabelle (Binoche) é um poço de contradições. Ela embarca em paixões por homens diferentes, como um banqueiro (Xavier Beauvois), um ator (Nicolas Duvauchelle), um tipo rude (Paul Blain) e um empresário mais velho (Alex Descas) – fora um eterno caso com o ex-marido (Laurent Grévill).

Como se poderia esperar da diretora, ela não doura a pílula para um final feliz arrebatador. O que salta à flor da pele é uma mulher entregue ao próprio desejo e que não desiste de procurar sua felicidade.

(Por Neusa Barbosa e Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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