June 13, 2018 / 8:46 PM / 6 months ago

ESTREIAS-Documentários "Baronesa” e “Safári” chegam aos cinemas

SÃO PAULO (Reuters) - Veja um resumo dos principais filmes que estreiam no país na quinta-feira:

Diretor Ulrich Seidl, de “Safári”, posa no Festival de Veneza 29/8/2014 REUTERS/Tony Gentile

“BARONESA”

- O real se materializa de maneira impressionante no longa “Baronesa”, documentário de estreia de Juliana Antunes. A figura central é Andréia, manicure na periferia de Belo Horizonte. Ela tem um sonho, construir uma casa em Baronesa, um bairro um pouco melhor, e dar uma vida mais digna aos seus filhos.

Juliana fez um documentário pungente que busca nuances pessoais e sociais do tema que aborda. Há momentos de melancolia – como Andréia e a amiga Leid amarrando fitas pretas nos postes – e outros de beleza, quando a protagonista consegue dar um passo em direção ao seu sonho.

A câmera da diretora é pouco invasiva e acompanha o cotidiano de sua protagonista, de vizinhos e vizinhas, como Leid, que espera o marido sair da prisão, e Zé, que quer ter um caso com Andréia. Em meio a conversas, o filme capta a vida na periferia num momento em que, mais do que nunca, a roda da história pouco favorece essas pessoas.

“SAFÁRI”

- “Safári”, documentário do diretor austríaco Ulrich Seidl, traça um retrato perturbador da alma que habita turistas alemães e austríacos que investem fortunas na caça de animais selvagens em áreas utilizadas para este fim na fronteira da Namíbia com a África do Sul.

Pais e filhos, marido e mulher e velhos amigos, acompanhados de guias locais, percorrem fazendas privadas onde vivem animais selvagens na busca de exemplares inéditos para compor suas coleções: antílopes, zebras, girafas e, quem sabe, elefantes e leões. Celebram cada abate bem-sucedido, guardam a bala como recordação e procuram justificar suas ações. Acreditam que ajudam no controle populacional dos animais e que escolhem apenas os mais velhos, poupando-os de lutar pela sobrevivência com os mais jovens e aptos a sobreviver. Desse ponto de vista, seus propósitos seriam humanitários e não deveriam ser condenados. É assim que gostariam de ser julgados.

O diretor poupa o espectador de cenas fortes como o impacto do tiro no animal vivo, mas mostra exaustivamente como seus corpos são retalhados para a retirada dos troféus: a cabeça, as patas, a pele e até mesmo a carne. Mesmo sendo um exercício penoso, a sessão pode servir para uma reflexão profunda sobre o que move o ser humano e seus limites.

“SOL DA MEIA-NOITE”

- A cada temporada surge um novo romance juvenil envolvendo alguma doença – às vezes, um tanto misteriosa, como é o caso aqui, o Xeroderma pigmentoso, uma condição genética que afeta Katie (Bella Thorne), impedindo-a de sair à luz do sol, que lhe pode causar câncer.

A jovem passou a vida tendo aulas em casa, onde também aprendeu a tocar violão. O pai (Rob Riggle) permite que saia para se apresentar à noite, desde que volte antes do sol nascer. Ela acaba conhecendo Charlie (Patrick Schwarzenegger, filho de Arnold Schwarzenegger e da jornalista Maria Shriver). Os dois se apaixonam, mas ela guarda segredo de seu problema. Como manter um romance com um horário tão limitado?

O filme dirigido por Scott Speer, como é comum no gênero, romantiza uma doença. Em uma rápida pesquisa na internet é possível descobrir que as vítimas dessa condição não sofrem de maneira poética como Katie, mas há paliativos permitindo aos portadores levar uma vida mais normal que a da personagem.

“TALVEZ UMA HISTÓRIA DE AMOR”

- Mateus Solano é Virgílio, publicitário metódico e solitário que recebe uma enigmática mensagem em sua secretária eletrônica de uma mulher rompendo o namoro. Mas ele não tem namorada. Com a ajuda de sua psicanalista (Totia Meirelles) descobre que sofre de uma amnésia peculiar: só esquece de uma pessoa, no caso, Clara (Thaila Ayala), sua ex.

Como não se lembra de nada dela, com uma única pista o protagonista começa uma jornada em busca de Clara para descobrir porque eles terminaram o relacionamento. O filme se torna um entra e sai de personagens femininas (interpretadas por atrizes como Juliana Didone e Flávia Garrafa, entre outras) que não ficam tempo suficiente em cena para serem lembradas.

Dirigido por Rodrigo Bernardo, a partir de um romance do francês Martin Page, a sorte do filme é ter Solano no papel principal. O ator é carismático e talentoso o bastante para amarrar essa colcha de retalhos repleta de personagens sem densidade.

“EM 97 ERA ASSIM”

- Comédia gaúcha, dirigida por Zeca Brito (autor do recente “A Vida Extra-ordinária de Tarso de Castro), tenta apresentar o universo de descobertas e as primeiras experiências sexuais de um grupo de adolescentes em 1997, no Rio Grande do Sul. Com um toque de comédia nerd americana, apimentada com piadas escatológicas, “Em 97 Era Assim” tem alguns momentos engraçados, mas não chega a decolar, apesar de o grupo de jovens atores se esforçar para arrancar risadas da plateia.

O roteiro é sempre previsível e gira em torno da clássica história de garotos brancos de classe média ansiosos para perder a virgindade e que se embebedam e pagam os maiores micos para impressionar as meninas da mesma idade que, naturalmente, os rotulam de infantilizados. A saída para a perda da virgindade é procurar uma prostituta, missão que permeia todo o filme. Se tem o mérito de não assumir baixarias mais grotescas, como em “American Pie”, o filme perde a oportunidade de investir no humor inteligente e em diálogos bem construídos.

(Por Alysson Oliveira e Luiz Vita, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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