July 25, 2018 / 6:52 PM / 4 months ago

ESTREIAS–Sexto "Missão Impossível" prova que Tom Cruise gosta de vertigem

SÃO PAULO (Reuters) - Veja um resumo dos principais filmes que estreiam no país na quinta-feira:

Tom Cruise divulga filme na Torre Eiffel 12/7/2018 REUTERS/Gonzalo Fuentes

“MISSÃO: IMPOSSÍVEL – EFEITO FALLOUT”

- O sexto capítulo da franquia cinematográfica inspirada no seriado de TV dos anos 1960 mostra a saúde da fórmula. Mantêm-se firmes, claro, o vibrante tema musical do argentino Lalo Schifrin e o trio de agentes da IMF, Ethan Hunt (Tom Cruise), Luther Stickwell (Ving Rhames) e Benji Dunn (Simon Pegg). Mas tudo o mais sai do lugar, não raro, a muitíssimos metros do chão. Mr. Cruise gosta de uma vertigem.

Estão perdidas três esferas de plutônio, dotadas de um poder de destruição. Por trás disso, está um grupo terrorista, intitulado “Os Apóstolos”. Ethan Hunt e sua turma entram em ação, mas a primeira tentativa de recuperar o material nuclear falha.

O próximo passo é localizar um certo John Lark, que será o intermediário na tentativa de venda do plutônio, uma operação que passa por uma rede clandestina, comandada por uma certa Viúva Branca (Vanessa Kirby), em Paris. A cidade, aliás, será o cenário de várias sequências memoráveis, assim como Caxemira, na Índia.

“A FESTA”

- Em enxutos 70 minutos, a cineasta britânica Sally Potter faz um retrato ácido e preciso do estado da Europa no presente – em especial da Inglaterra do Brexit e da esquerda de todo o continente. Com fotografia em preto e branco e interpretações inspiradas, essa é uma comédia mordaz.

Janet (Kristin Scott Thomas) acaba de ser nomeada ministra da Saúde e organiza uma pequena recepção aos amigos mais próximos para celebrar em sua casa. Aparentemente, todos os problemas desse grupo, até então encobertos, atingem o ventilador e ninguém sai impune: desde a acadêmica feminista (Cherry Jones) ao corretor financeiro (Cillian Murphy) que lucra com as mazelas do mundo.

Potter, que também assina o roteiro, é uma cineasta sofisticada e certeira, de mira precisa. Seu elenco – que inclui Patricia Clarkson, Timothy Spall e Bruno Ganz – é afiado e aproveita ao máximo o texto cínico desse filme farsesco que merece ser descoberto.

“ALGUMA COISA ASSIM”

- Em “Alguma Coisa Assim”, o diretor Esmir Filho retoma seu curta homônimo e, com a parceria de Mariana Bastos no roteiro e na direção, revisita os personagens Caio (André Antunes) e Mari (Caroline Abras). Ela agora mora em Berlim, para onde ele vai estudar, hospedando-se no apartamento dela.

O longa combina cenas do premiado curta de 2006, cenas de um outro de 2013, que nunca foi exibido, e outras novas, rodadas na Alemanha. Assim, acompanha-se as transformações dos personagens ao longo dos anos, bem como sua amizade um tanto apaixonada, mas também conflituosa.

As idas e vindas no tempo e no espaço jogam uma luz na trajetória de Mari e Caio. É praticamente impossível não se interessar mais por ela, uma personagem mais complexa e com nuances do que o rapaz que, no primeiro curta, se descobria gay. Ajuda muito a interpretação de Caroline Abras (premiada no Mix Brasil), uma grande atriz, cuja personagem merecia um filme só para ela.

“LÁMEN SHOP”

- Segredos familiares, reconciliações e muita comida, tudo isso entra na receita do melodrama dirigido pelo veterano Eric Khoo. Mais conhecido cineasta de Cingapura, que concorreu à Palma de Ouro em Cannes em 2008 com o drama “My Magic”, ele estrutura a narrativa em torno do jovem Masato (Takumi Saitoh) e sua busca das raízes familiares, entre o Japão e Cingapura.

Filho de um chef japonês, Kazuo (Tsuyoshi Ihara), e uma cingapurense, Mei Lian (Jeanette Aw), o menino nasceu em Cingapura e ali viveu até os 10 anos. Depois, a família foi viver no Japão, onde a mãe morreu ainda jovem.

Quando Kazuo também morre, Masato decide que é hora de voltar a Cingapura, à procura de seus familiares, cujo negócio, igualmente, está na comida. Boa parte do filme, aliás, passa-se em torno de mesas, do fogão ou da cozinha, locais onde o jovem Masato procura unir novos e velhos sabores, assim como ordenar lembranças de infância e resolver lacunas do passado.

“TODO DIA”

- Baseado num romance para jovens adultos, “Todo Dia” tem uma ótima ideia, mas não a aproveita tão bem depois de meia hora de filme. Rhiannon (Angourie Rice) é uma adolescente não muito feliz e negligenciada pelo namorado (Justice Smith). Ela acaba se apaixonando por A, um ser que a cada dia habita um novo corpo.

Se A é um espírito, um alienígena, homem ou mulher, não importa. O que a protagonista acaba descobrindo é que esse ser tem que mudar de “hospedeiro” todos os dias. E a protagonista continua apaixonada por A, seguindo-o, independentemente de quem habite.

O filme abusa dos encontros, que se tornam repetitivos e fazem a trama avançar pouco. Evitando tocar nos dilemas éticos e morais que surgem quando A usa o corpo de um ou uma desconhecida para namorar Rhiannon, o longa quer falar de temas caros ao público jovem, como identidade e preconceito. Mas se perde abusando de sua ideia mirabolante sem chegar a lugar nenhum.

(Por Neusa Barbosa e Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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