August 15, 2018 / 7:40 PM / 4 months ago

ESTREIAS-Denzel Washington em “O Protetor 2” e “Troca de Rainhas” se destacam nos cinemas

SÃO PAULO (Reuters) - Veja um resumo dos principais filmes que estreiam no país na quinta-feira:

Ator Denzel Washington chega a evento em Beverly Hills 6/2/2017 REUTERS/Mario Anzuoni

“O PROTETOR 2”

- Denzel Washington é a melhor razão para assistir às duas horas de “O Protetor 2”. O ator retoma o personagem, originalmente de um seriado dos anos de 1980, e protagoniza um espetáculo de sangue e violência, a partir de um roteiro frouxo e uma direção segura de Antoine Fuqua.

Washington é Robert McCall, um ex-agente da CIA que, mesmo aposentado, anonimamente ajuda as pessoas em risco. Ele é, aparentemente, o único capaz de deter cinco homens armados apenas com sopapos e pontapés. A primeira parte do filme acompanha esses pequenos serviços, até que um crime ligado ao seu passado ocorre, e ele se envolve na investigação.

A partir desse momento, o longa se torna genérico – uma espécie de versão de “Duro de Matar” com orçamento mais gordo. O personagem diz estar atrás de justiça, mas o que ele faz é bem pior – vingança pura e crua. Na era dos extremos em que vivemos, sanguinolência parece ser o grande espetáculo.

“TROCA DE RAINHAS”

- Coprodução franco-belga que concorreu ao prêmio César de filme estrangeiro, “Troca de Rainhas”, de Marc Dugain, adapta romance de Chantal Thomas para retratar episódio histórico, ocorrido entre França e Espanha, em 1721.

Após anos de guerra contra a Espanha, o regente francês Philippe d’Orléans (Olivier Gourmet) tenta fortalecer os laços com aquele país propondo um intercâmbio de casamentos: sua própria filha, Louise-Elisabeth (Anamaria Vortolomei), com o herdeiro espanhol, Luís (Kacey Mottet Klein) e o rei francês, o menino Louis XV (Igor van Dessel), de 11 anos, com a princesinha espanhola Mariana Vitória (Juliane Lepoureau), de apenas 4 anos (no filme, no entanto, ela é mais velha do que no evento histórico, embora ainda uma criança que brinca de bonecas).

É o tipo do filme de época que respira, com personagens atravessados por sentimentos e contradições humanos, ao mesmo tempo que embrenhados em dilemas políticos. O próprio rei da Espanha, o francês Felipe V (Lambert Wilson), neto de Louis XIV, manifesta seus conflitos com a falta de liberdade a que estão submetidos mesmo soberanos como ele.

“CHRISTOPHER ROBIN – UM REENCONTRO INESQUECÍVEL”

- Ewan McGregor interpreta o personagem-título, o amigo humano do ursinho Pooh e dos outros animais do Bosque dos 100 acres, nesta versão em que o menino, agora adulto, está em crise. Ele trabalha numa fábrica de malas e precisará cortar os custos, o que significa demitir vários colegas. Devotado ao trabalho, tem pouco tempo para a mulher e a filha (Hayley Atwell e Bronte Carmichael).

Num final de semana, impedido de viajar com elas, acaba reencontrando Pooh e sua turma, que se surpreendem com as mudanças que ocorreram com Christopher, especialmente como deixou de ser um menino de bom coração.

Dirigido por Marc Forster, o filme é todo bem-intencionado, seguindo a tradicional cartilha Disney sobre redenção e reencontro com a criança interior de cada um. De qualquer forma, os animais criados digitalmente são impressionantes, pois sua estética é de bichos de pelúcia desgastados pelo tempo – possivelmente, seu visual é a melhor coisa do filme.

“COMO É CRUEL VIVER ASSIM”

- Em “Como é Cruel Viver Assim”, a diretora Julia Rezende deixa de lado as comédias românticas – como “Meu Passado me Condena” – para aventurar-se num outro gênero: a tragicomédia, aliás, com resultado bem superior. Os personagens formam um grupo de gente sem dinheiro, nem perspectivas na vida ou noção de qualquer coisa, que pretende enriquecer com um sequestro.

Clívia (Fabiúla Nascimento) quer casar, mas seu namorado Vladimir (Marcelo Valle) está desempregado. A ideia do sequestro parte da amiga Regina (Debora Lamm), uma babá que sugere raptarem o antigo patrão. Une-se a eles um vizinho desajeitado (Silvio Guindane). O plano é mirabolante, mas o grupo acredita que não é difícil.

O humor parte, exatamente, da falta de habilidade ou bom senso dos personagens. Os diálogos são ligeiros, o que não esconde a origem teatral do texto. Mas Rezende supera o que poderia ser um empecilho e cria uma comédia ágil e, ao mesmo tempo, melancólica.

“UNICÓRNIO”

- A obra do cineasta Eduardo Nunes é um ser peculiar e único no cinema brasileiro – tal como o título de seu mais novo trabalho, “Unicórnio”. Dono de uma carreira de curtas e o longa “Sudoeste”, o diretor, mais do que contar histórias, filma estados da natureza e de espírito.

Inspirado em dois contos de Hilda Hilst, o filme explode com cores saturadas e uma natureza que não define espaço, nem tempo. Ao centro, uma adolescente (Barbara Luz) que vive num lugar cercado de colinas, isolada com a mãe (Patrícia Pillar), esperando o pai (Zécarlos Machado), que sumiu. A chegada de um forasteiro (Lee Taylor) rompe o equilíbrio, quando ele e a mulher parecem fazer um jogo de sedução.

O filme é, ao mesmo tempo, uma fantasia e uma investigação sobre o arcaísmo que resiste à mudança do mundo. Pode não ser um longa de fácil assimilação, mas o que ele tem a oferecer aos que se entregam é recompensador.

(Por Alysson Oliveira e Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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