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Placido Domingo pede desculpas após sindicato descobrir que ele assediou sexualmente mulheres

NOVA YORK (Reuters) - O cantor de ópera Placido Domingo pediu desculpas às mulheres que o acusaram de assédio sexual nesta terça-feira, depois que uma investigação do American Guild of Musical Artists concluiu que ele se comportou de maneira inadequada com cantoras.

Placido Domingo durante evento na Manhattan School of Music em Nova York, EUA 11/05/2018. REUTERS/Shannon Stapleton/Foto de arquivo

Uma das estrelas de ópera mais celebradas da era moderna, Domingo disse em comunicado que passou vários meses refletindo sobre as alegações feitas por suas colegas.

“Eu respeito que essas mulheres finalmente se sentiram confortáveis o suficiente para falar, e quero que elas saibam que realmente sinto muito pela dor que as causei”, disse.

Mais de três dúzias de cantoras, dançarinas, músicas, professoras de voz e funcionárias dos bastidores disseram ter testemunhado ou experimentado um comportamento inadequado do cantor espanhol de 79 anos em relação a mulheres em diferentes casas de ópera nas últimas três décadas.

A AGMA, associação americana de artistas musicais, sindicato que representa artistas e produtores em casas de ópera e salas de concertos nos Estados Unidos, contratou um ex-promotor em setembro passado para investigar as queixas.

O sindicato, do qual Domingo é membro, anunciou suas descobertas nesta terça-feira.

“A investigação concluiu que Domingo, de fato, havia se envolvido em atividades inapropriadas, variando de flerte a avanços sexuais, dentro e fora do local de trabalho”, disse o comunicado. “Muitas das testemunhas expressaram medo de retaliação no setor como motivo para não se manifestarem mais cedo.”

Domingo disse em seu comunicado que agora entende o medo das mulheres.

“Embora essa nunca tenha sido minha intenção, ninguém deve se sentir assim”, disse ele. “Estou comprometido em causar mudanças positivas na indústria da ópera, para que ninguém mais tenha a mesma experiência.”

O sindicato se recusou a tornar público seu relatório completo. Seu conselho de governadores tomará “medidas apropriadas”, afirmou o comunicado do sindicato. A porta-voz da associação, Alicia Cook, se recusou a discutir que ação tomaria em relação a Domingo.

Domingo havia contestado as acusações quando elas apareceram em reportagens no ano passado, forçando-o a cortar os laços com algumas das principais instituições musicais dos Estados Unidos.

Ele renunciou ao cargo de gerente geral da Ópera de Los Angeles e deixou de desempenhar o papel-título em “Macbeth”, de Verdi, na Metropolitan Opera de Nova York.

A LA Opera disse que comentaria assim que as autoridades de lá terminarem de revisar as descobertas do sindicato. O Met não respondeu a um pedido de comentário.

As alegações tiveram menos impacto em sua carreira na Europa, e ele ainda deve cantar e realizar apresentações em Viena, Madri, Moscou e Hamburgo nos próximos meses, segundo seu site.

Como um dos três cantores do grupo Tenor, Domingo, José Carreras e o falecido Luciano Pavarotti ajudaram a levar a ópera a um público mais amplo, com shows ao redor do mundo nos anos 90. Domingo começou a cantar papéis de barítono no final de sua carreira.

O sindicato anunciará planos nas próximas semanas para impedir o assédio sexual no futuro, disse Leonard Egert, diretor executivo nacional da AGMA, em comunicado.

“Os esforços da AGMA para proteger seus membros não terminarão com esta investigação”, disse Egert. “A AGMA está convocando todas as empresas dos campos de concertos de Ópera, Dança e Coral a aderirem a uma iniciativa de toda a indústria para mudar positivamente a cultura”.

Reportagem de Inti Landauro em Madri e Jonathan Allen em Nova York; reportagem adicional de Maria Caspani em Nova York

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