April 16, 2020 / 9:29 PM / 4 months ago

Líderes da moda da Itália fazem apelo ao governo para suavizar restrições à indústria

Desfile de Salvatore Ferragamo outonoinverso 2020 na Fashion Week em Miláo 22/2/2020 REUTERS/Alessandro Garofalo

MILÃO (Reuters) - Os líderes da moda da Itália pediram ao governo nesta quinta-feira que suavize as restrições impostas em reação à crise do coronavírus para lhes permitir retomar parte da produção, alertando que um isolamento prolongado cria o risco de um dano irreparável ao setor.

“A moda é uma indústria sazonal, e certas datas não são comprimíveis. Não reabrir em breve significaria desistir do faturamento de quase um ano”, disse Carlo Capasa, presidente da Câmara Nacional de Moda da Itália (CNMI), em uma entrevista virtual ao site do jornal Corriere della Sera.

As atuais medidas de isolamento da Itália – país com o terceiro maior número de casos confirmados, só atrás de Estados Unidos e Espanha – vigorarão até 3 de maio.

O governo não revelou como e quando começará a amenizar uma proibição de âmbito nacional às atividades comerciais que não são consideradas essenciais.

As fábricas de têxteis e de itens de moda de toda a nação fecharam por não se enquadrarem na categoria de negócios essenciais.

Muitas grifes reformularam a produção para fazer produtos como máscaras e macacões descartáveis, e assim atender a demanda crescente durante a emergência.

Com um faturamento de 95 bilhões de euros e 600 mil trabalhadores, a indústria italiana de moda e têxteis é a segunda mais importante do país. Responde por uma fatia de 41% do setor na Europa, seguida pela Alemanha, que representa 11% do total.

Capasa sugeriu 20 de abril como data para retomar gradualmente as atividades de manufatura para poder produzir as coleções de outono/inverno a tempo para lojas de todo o mundo e para iniciar a produção das coleções primavera/verão.

“Estamos fechados, mas outros países, como França, Espanha, Portugal, Turquia estão começando a reabrir”, disse Claudio Marenzi, encarregado de moda do lobby Confindustria, observando que a proibição também teve implicações para a Itália como fornecedora.

Por Claudia Cristoferi

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