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Equipe da Reuters que venceu Pulitzer capturou escalada do caos em Hong Kong

HONG KONG (Reuters) - A jovem mulher está pressionada no chão ao lado de um escudo da tropa de choque da polícia. Detida pelas autoridades de Hong Kong, ela grita seu nome a seus amigos para que eles chamem um advogado para defendê-la.

Manifestante é detida pela polícia em Hong Kong. 2/9/2019. REUTERS/Tyrone Siu/

A foto, tirada no dia 2 de setembro do ano passado em meio a uma onda gigantesca e violenta de protestos que estremeceu Hong Kong por mais de seis meses, foi parte de uma série de imagens captadas por uma equipe de fotógrafos da Reuters que conquistou o prêmio Pulitzer nesta semana na categoria de fotojornalismo.

As fotografias vão de vistas panorâmicas dos boulevards da cidade lotados com dezenas de milhares de manifestantes a closes de batalhas campais entre os militantes anti-China e a polícia buscando restaurar a ordem.

A maior parte da violência aconteceu durante a noite, emprestando uma aura sombria à ação - manifestantes aparecem como silhuetas na fumaça do gás lacrimôgeneo, letras gigantes em neon escrevem “LIBERDADE PARA HK” e são carregadas no alto por manifestantes brilhando na escuridão de um topo de colina.

Para Tyrone Siu, um fotógrafo da Reuters que é de Hong Kong, cobrir os protestos era intensamente pessoal.

Formado na Universidade Chinesa de Hong Kong, palco de alguns dos confrontos mais ferozes entre policiais e manifestantes, ele viu sua alma mater ser transformada em um campo de batalha. O estádio municipal de esportes se tornou um gigantesco abrigo para manifestantes feridos.

“Enquanto isso, eu preciso me manter calmo em meio à intensa atmosfera para conseguir realizar meu dever como fotojornalista, ajudando os colegas estrangeiros a se deslocar e lidando com a situação, que pode mudar rapidamente”.

Siu fez a foto da mulher gritando e, apesar de passar meses nas ruas da cidade que parecia em alguns momentos uma zona de guerra, a imagem grudou em sua memória.

“As emoções retratadas em seu rosto eram tão fortes que isso deixou uma memória duradoura”, disse.

“Mas ela foi apenas uma em muitos dias, um rosto entre muitos outros jovens rostos sendo detidos pela polícia desta maneira durante meses de protestos”.

O prêmio Pulitzer para a Reuters, uma unidade da Thomson Reuters, foi o oitavo da agência desde 2008, e o quinto nos últimos três anos. A cobertura dos protestos de Hong Kong pela Reuters também foi finalista do Pulitzer na categoria de reportagem internacional.

Reportagem de Mike Collett-White

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