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Peruanos em quarentena aprendem a dizer "saudades" na língua dos incas

Músico quéchua em Machu Picchu 1/4/2010 REUTERS/Mariana Bazo

LIMA (Reuters) - Peruanos espalhados pelo mundo que estão sujeitos a isolamentos do coronavírus e com saudade de casa têm usado a internet cada vez mais para aprender quéchua, a língua andina falada pelo povo inca.

Qorichaska Quispe, cujo primeiro nome significa “Pássaro de Ouro” em quéchua, disse à Reuters que as visualizações de sua página de Facebook “Vive el quéchua” aumentaram seis vezes em abril na comparação com o ano passado. Os estudantes se conectam no Peru, mas também na Europa, na Ásia e outros lugares da América do Sul.

Uma aula em que a sorridente Quispe ensinou seus seguidores a dizer “te amo” e “estou com saudade” atraiu 6 mil visitas. Outras em que se celebram heróis folclóricos, comida ancestral e espécies nativas teve 14 mil acessos.

“Durante a quarentena, todos nós podemos nos sentir tristes ou solitários às vezes, algumas pessoas estão longe da família, e lhes oferecermos uma lembrança de sua identidade” disse Quispe à Reuters.

O quéchua se disseminou pela América Latina graças ao império inca cinco séculos atrás, e atualmente é falado por cerca de 10 milhões de pessoas, 3,7 milhões delas no Peru, onde é uma das três línguas oficiais.

Mas a maioria de seus falantes mora em áreas remotas, e o idioma deixou de ser transmitido de uma geração a outra – a maioria dos peruanos opta pelo espanhol.

Agora existem sementes de uma renascimento cultural, e o quéchua voltou a ser usado na transmissão de um noticiário de televisão, em um filme de sucesso nas bilheterias e em músicas de rap que estão ganhando status cult no YouTube.

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