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Movimento "Black Lives Matter" desperta artista ganesa-alemã Zohra Opoku

Artista Zohra Opoku apresenta projeto durante entrevista em Dacar 29/06/2020 REUTERS/Zohra Bensemra

DACAR (Reuters) - Uma lágrima escorreu pelo rosto da artista ganesa-alemã Zohra Opoku ao lembrar como o movimento “Black Lives Matter” acendeu sua dor e raiva enquanto está em isolamento por causa do coronavírus.

Depois que o Senegal fechou suas fronteiras em março, a artista visual de renome internacional não teve outra opção senão permanecer em uma residência em Dacar, onde estava criando grandes colagens têxteis para explorar sua imagem após um diagnóstico de câncer.

Quando a morte de George Floyd sob custódia da polícia dos EUA provocou um protesto global contra injustiça e opressão raciais, a artista de 44 anos costurou uma nova peça em homenagem ao movimento.

“Say Their Names” é uma tela branca e tingida de índigo, na qual Opoku costurou dezenas de imagens de rostos não identificados de arte egípcia antiga. Alguns são impressos em vermelho e caem como lágrimas.

Os protestos “nos abalaram, nos despertaram e aguçaram nossos sentidos sobre em que tipo de mundo queremos viver”, disse ela, diante do trabalho em andamento em seu estúdio na residência Black Rock Senegal.

Ela tem uma perspectiva rara sobre a experiência negra depois de crescer cercada por brancos na Alemanha Oriental comunista, filha de pai ganês e mãe alemã.

“Eu sempre me destacava demais”, lembra Opoku, que agora chama Acra de lar. “Aprendi a resistir à energia racista e ao ódio contra pessoas de cor na Alemanha Oriental, principalmente depois da queda do muro”, acresentou ela, que tem a busca pela identidade como tema central em seu trabalho.

Reportagem de Alessandra Prentice

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