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Artistas fazem exibição em Beirute ao canalizar “raiva em arte” após explosão

Exposição "Beirute Ano Zero" 2/10/2020 REUTERS/Mohamed Azakir

BEIRUTE (Reuters) - No dia da explosão em Beirute, há dois meses, Nabil Debs, de 54 anos, estava ocupado planejando a inauguração de seu hotel boutique, em obras na última década.

Em vez disso, um dia após escapar da morte na enorme explosão que matou quase 200 pessoas, Debs estava removendo os destroços da fachada, telhado e varandas do edifício histórico que foi a casa de sua família por décadas e agora um negócio.

Com os escombros removidos, os corredores do prédio agora estão abertos aos visitantes para ver mais de 100 obras realizadas por artistas, principalmente libaneses e árabes, refletindo sobre a própria explosão e também a turbulência e guerras da década passada.

A iniciativa, “Beirute Ano Zero”, apresenta pinturas, instalações e esculturas de cerca de 60 artistas e visa arrecadar dinheiro para apoiá-los e à Cruz Vermelha Libanesa, que esteve na vanguarda do trabalho de resgate e socorro após a explosão.

Debs - que é um dos curadores da exposição - disse que muitos estúdios de artistas foram destruídos na explosão que atingiu duramente Gemmayzeh, um bairro conhecido por suas galerias e vida noturna.

“Foi um ataque aos nossos modos e crenças”, afirmou ele. “O sistema político, a crise econômica, tudo está vindo contra nós, então transformamos essa raiva em ... uma frente de arte.”

A exposição vai até 14 de outubro, depois disso cerca de 30 obras irão a Londres para serem leiloadas na Christie’s.

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