November 12, 2014 / 6:54 PM / 4 years ago

ESTREIA-Vinte anos depois, Debi e Lóide se reencontram com mesmo humor pastelão

SÃO PAULO (Reuters) - Vinte anos se passaram e Lóide (Jim Carrey) está numa clínica de repouso, numa cadeira de rodas. Durante essas décadas, toda semana, seu amigo Debi (Jeff Daniels) o visitou, trocou sua fralda e lhe deu atenção – até o dia em que, se matando de rir, o sujeito confessa que não estava doente, e que fez isso apenas para rir da cara do amigo, que lhe diz: “Você perdeu os melhores anos da sua vida, me fez vir aqui toda semana e limpar seu traseiro só para me pregar uma peça?”. Os dois riem até não poder mais.

Os atores Jim Carrey (esquerda) e Jeff Daniels chegam à estreia mundial de "Debi e Lóide 2" em Los Angeles, nos Estados Unidos, na semana passada. 03/11/2014 REUTERS/Danny Moloshok

Essa é a primeira cena de “Debi & Lóide 2” e marca o tom do filme, que estreia em circuito nacional, em cópias dubladas e legendadas.

Há um algo de perversamente ingênuo na dupla de personagens criada pelos irmãos Bobby e Peter Farrelly, que também assinam a direção, e Bennett Yellin. Mas, ao contrário dos personagens desse mesmo estilo, que em sua ingenuidade e falta de pudor podem revelar a hipocrisia da sociedade, Debi e Lóide estão aqui apenas para as palhaçadas – na falta de termo melhor.

Há um fiapo de trama no roteiro assinado por seis pessoas —além dos já citados, também Sean Anders, Mike Cerrone, John Morris— para servir de cola às piadas. Depois de deixar a clínica, Lóide vai morar com Debi, que lhe confessa estar sofrendo dos rins e precisar de um transplante.

Quando procuram os pais dele, que são chineses, confessam que ele é adotado. Em meio a cartas antigas que nunca abriu, porém, ele descobre boas notícias, quando lê que uma de sua ex-namoradas contava estar grávida – acontecimento que data do começo dos anos de 1990. É a chance de um doador de rins.

Ao reencontrar a namorada, Fraida Felcher (Kathleen Turner, vítima, aliás, dos piores comentários sexistas do filme), ela lhe dá o endereço da filha, Penny (Rachel Melvin). A garota foi adotada por um cientista (Steve Tom) inteligentíssimo – até ganhou um Nobel –, mas, como ele está doente, manda a garota para um congresso para representá-lo. Porém, ela não é nada esperta, puxou ao pai biológico.

A trama se resume a Debi e Lóide na estrada, em direção à conferência para achar Penny, revelar o segredo e pedir um rim.

Realmente, esperar uma trama ou algo parecido num filme desses é pedir demais. Aqui, bastariam boas piadas, nada muito elaborado. No entanto, elas limitam-se a ser mais visuais do que verbais, e só algumas são realmente engraçadas.

Se em filmes mais dramáticos Carrey torna-se um pouco mais contido, neste gênero cômico é o espaço ideal para ele se libertar e falar, fazer todos os trejeitos e ruídos que lhe ocorrerem, e não são poucos. Livre de qualquer empecilho, o ator rouba o filme. Para quem acha graça em seu tipo de humor, não pode haver nada melhor.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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