28 de Setembro de 2016 / às 20:32 / um ano atrás

ESTREIA–“O Lar das Crianças Peculiares” parece reciclagem de “X-Men” e “Harry Potter”

SÃO PAULO (Reuters) - Talvez o diretor Tim Burton quisesse, em sua carreira, ter feito um filme da série “X-Men”. Ele também pode ter pensado em fazer um “Harry Potter”. Nenhum projeto aconteceu, mas o cineasta encontrou uma maneira de juntar os dois em seu “O Lar das Crianças Peculiares”, adaptação do romance homônimo de Ransom Riggs.

Diretor Tim Burton discursa durante cerimônia em Hollywood 08/09/2016 REUTERS/Mario Anzuoni

O cineasta sempre teve um olhar carinhoso para outsiders, especialmente quando sua condição de excluídos se manifesta fisicamente, mas aqui, um punhado deles não dá conta do roteiro confuso e da direção pouco inspirada.

O romance, que conta a história de um orfanato onde se abrigam crianças com dons especiais, poderia ser o material perfeito para Burton e seus voos de imaginação, com direção de arte e fotografia que costumam ser caprichadas.

Aqui, porém, nada funciona muito bem, com seus personagens mal-resolvidos e trama vacilante. Jake (Asa Butterfield, de “A Invenção de Hugo Cabret”) é um garoto solitário cujo único amigo é seu avô, Abe (Terence Stamp). Com a morte deste, o protagonista viaja com seu pai (Chris O’Dowd), para um pequeno vilarejo na costa do País de Gales.

Por conta de uma série de peculiaridades, ele, finalmente, encontra a casa da Sra. Peregrine (Eva Green), onde estão as crianças do título do filme. Cada um tem seu dom – que, explica ela, é genético, localizado num gene recessivo que pode pular gerações até se manifestar – como voar, ser invisível, soltar abelhas pela boca ou ter uma força descomunal. Mas Jake, aparentemente, não tem nenhum dom.

Só essa premissa já seria um bom pretexto para Burton – trabalhando com um roteiro assinado por Jane Goldman (roteirista de “Kickass” e dois filmes da série “X-Men) – deixar livre sua imaginação e sua queda por bizarrices.

Mas, curiosamente, pouco funciona aqui. A partir do momento que o filme constrói o seu mundo – quando Jake descobre o lar, preso numa fenda no tempo em um dia em 1943, antes de ser bombardeado por nazistas – o longa se torna um tanto enfadonho.

Atropela-se a narrativa, também, ao trazer também uma trama envolvendo o personagem vilão de Samuel L. Jackson, que surge do nada, mas cuja história ajuda o filme a atingir a marca de 129 minutos.

Dos X-Men vêm os dons de cada personagem – que serão fundamentais na hora de lutar contra o vilão e salvar todo o mundo – e do Harry Potter o lado lúdico, um quê de literatura infanto-juvenil e vilania ligada à mágica.

O resultado parece, realmente, a junção de dois filmes não muito bem resolvidos, e sem muita graça.

Burton, que há muito não realiza um grande filme, terá chance de se reconciliar com seu passado em breve, com a anunciada sequência de “Os Fantasmas se Divertem”. Ou não.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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